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A casa às costas

“No primeiro treino no Sporting marquei logo território. O central só dizia 'as costas, as costas' e eu: 'Cala-te. Não me falas assim'”

“No primeiro treino no Sporting marquei logo território. O central só dizia 'as costas, as costas' e eu: 'Cala-te. Não me falas assim'”
Getty Images

Aldo Duscher deixou boas recordações em Alvalade, onde jogou dois anos e ajudou à conquista do título de 2000 que, diz, profetizou. Convidámo-lo a fazer uma viagem pelo seu percurso e ficámos a saber que aos 14 anos teve de deixar a família a mais de 2000 quilómetros para perseguir o sonho de ser jogador, que veio para Portugal com a mãe e uma das irmãs, que não saía à noite e que ia a Badajoz comprar aquilo de que tinha mais saudades da Argentina: erva-mate. Também explica a importância de Inácio e fala do orgulho em representar a seleção. Na segunda parte deste Casa às Costas, abordamos os anos na Espanha, o final de uma carreira e o início de outra

Nasceu em Esquel, na Argentina. É filho e irmão de quem?
A minha mãe era professora, chegou a ser diretora da escola, e o meu pai trabalhava numa empresa de eletricidade. Tenho duas irmãs. Eu sou o irmão do meio e único rapaz.

Foi um miúdo tranquilo ou deu muitas dores de cabeça?
Era irrequieto. Desde muito pequeno que adoro jogar à bola, porque o meu pai jogava futebol, mas não como profissional. Ele levava-me para o campo desde muito pequeno, por isso o futebol esteve sempre presente na minha vida.

Em casa torciam porque clube?
Os meus pais torcem pelo Boca Juniors. Eu, claro, por influência, também simpatizava mais com o Boca do que com o River Plate.

Gostava da escola?
Era muito responsável, por ter uma professora em casa como a minha mãe. Exigia-me muito, não me deixava ser desorganizado, mas a escola não me fascinava, não era maluco por estudar. Tentava fazer as tarefas da escola rápido para ir jogar à bola.

Começou a jogar por jogar na rua ou foi logo para um clube?
Primeiro na rua. Antigamente o único brinquedo que tínhamos era a bola. Não havia telemóvel, não havia tablet, a única diversão era brincar na rua e sempre com uma bola.

O que dizia querer ser quando crescesse?
Desde muito pequeno que gosto de desporto. O meu pai saía para correr e levava-me com ele. Sempre fui muito ligado ao desporto. Também comecei a jogar futebol de 5, muito pequeno, com seis ou sete anos. Lembro-me que me imaginava estar dentro de um campo, com muita gente no estádio. Essa era a imagem que eu tinha, o meu sonho.

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