Nasceu em Paris, na França. É filho de emergentes?
Sim, os meus pais emigraram à procura de uma vida melhor na França e tive o privilégio de lá nascer. Digo isso porque tive acesso a uma cultura e educação muito diferentes do que estamos habituados, por conviver diariamente com diferentes culturas e religiões. O meu pai trabalhava nas obras, era trolha, a minha mãe era técnica de limpeza em clínicas privadas.
Tem irmãos?
Tenho uma irmã mais velha.
Qual é a sua primeira memória de infância?
É ver o sofrimento dos meus pais. A vida de emigrante é uma vida muito difícil. Eu via os sacrifícios que os meus pais faziam para que nada nos faltasse. Saíam de casa muito cedo e chegavam mesmo tarde e muitas das vezes sem fins de semana.
Onde ficava quando eles não estavam em casa?
Na escola e numa ama também, que era portuguesa, da Póvoa do Varzim, e que me levava muitas vezes aos ranchos. Desde pequenino que andava entre o mundo do futebol e os ranchos porque ela era presidente de um rancho folclórico.
Deu muitas dores de cabeça aos seus pais?
Fui muito calmo até aos 12 anos, a partir daí, até aos 18, já fui um bocado mais rebelde, é aquela idade um bocado parva, em que tudo o que é proibido tentamos fazer.
Como, por exemplo?
Lembro-me que com 16 anos conduzia carro, sem carta, em Paris, com a cidade cheia de polícias. Como eu estava habituado a conduzir carros nas férias, em Portugal, sabia muito bem conduzir. Na aldeia do meu pai, em Montalegre, não havia polícias e andava com o carro sem carta.
Alguma vez foi apanhado pela polícia de Paris?
Graças a Deus, não. Mas, uma semana após tirar a carta fui parado pela primeira vez por um polícia, que me via passar diariamente com o carro. Quando lhe mostrei o papel, diz ele: “Mas eu já te vejo a conduzir aqui há mais de seis meses e só tens a carta há uma semana?” [risos].
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