Um lobo assustou Portugal, que entrou na main round do Europeu com uma derrota frente à Alemanha
A Alemanha entrou na main round derrotando Portugal
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Na estreia na segunda fase do torneio, a seleção nacional perdeu (32-30) frente a uma das mais poderosas equipas do continente. Numa partida equilibrada, a grande exibição de Andreas Wolff, guarda-redes alemão, fez a diferença
Se há uma fronteira temporal que divide o andebol português, separando os tempos em que se olhava para os gigantes como barreira insuperável e a era em que se desafiam os melhores olhos nos olhos, o registo contra a Alemanha traduz estatisticamente esse crescimento. Sim, são meras três vitórias em 12 encontros, mas o último confronto antes deste Europeu deu vitória nacional. Sim, eles são a potência clássica, mas havia dois triunfos nacionais nos quatro embates prévios.
A abertura da main round deu sabor amargo. Derrota 32-30, nenhum ponto a somar aos dois que Portugal levou da fase anterior. Que a tarde tenha sido de frustração, de clara sensação de que outro resultado estava ao alcance, traduz a revolução que esta equipa portuguesa trouxe.
Diante de quem já foi três vezes campeão do mundo e duas da Europa, Portugal nivelou, teve períodos de superioridade, resistiu a crises, acabou a pisar os calcanhares alemãos. No fim, perdeu, em boa parte, pela segurança do lobo que protege a baliza adversária.
Andreas Wolff é grande, imponente, a baliza desaparece atrás dele. Com 14 defesas realizadas, fechou a defesa alemã. O contraste para os colegas de posição foi letal para os portugueses: Gustavo Capdeville e Pedro Tonicher, juntos, somaram sete defesas.
O mais novos dos irmãos Costa marcou 9 golos no triunfo histórico de Portugal frente à Dinamarca
Depois da epopeia escrita contra a Dinamarca, a seleção nacional arrancou a main round à procura de fazer valer a ideia manifestada por Luís Frade: “É fácil chegar lá acima, o difícil é manter e esse é o nosso objetivo”. Defrontando Alemanha, França, Noruega e Espanha no espaço de seis dias, só a manutenção da excelência permitirá chegar às meias-finais e lutar pelaambicionada medalha.
Em Herning, com a fronteira alemã ali bem perto, Portugal arrancou embalado pela injeção de confiança de há dois dias. Na frente do marcador durante boa parte do primeiro tempo, Kiko Costa, com uma finalização em chicote que evidenciou todo o arsenal ofensivo do canhoto, e António Areia, com uma delicada rosca, protagonizaram os golos que mais embelezaram o começo nacional.
Os alemães não entraram especialmente inspirados, com várias falhas técnicas no ataque. Ainda assim, o lobo da baliza, capaz de defender cinco dos primeiros 11 remates e sete dos primeiros 15, foi a alavanca que impulsionou um virar de tendência no jogo.
Com cada vez mais dificuldades para marcar, Portugal permitiu o crescimento dos medalhados de prata de Paris 2024. Num momento de crise, a equipa nacional chegou a viver 11 minutos sem golos. Passou de estar a ganhar por dois para perder por dois, só não se agravando o cenário porque o acerto não abundava do outro lado.
Para Portugal, segue-se, sábado, a Noruega
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Ainda assim, a competitividade e brutal capacidade que esta equipa tem para resistir às adversidades foram agarrando Portugal ao marcador. A crise dos golos desapareceu e o intervalo chegou com igualdade a 11 no marcador, resultado que traduzia os problemas que ambos atravessaram, bem como a falta de pontaria alheia para explorar essas debilidades.
Depois do descanso, o guião do encontro foi sempre o mesmo, com os alemães na frente, forçando Portugal ao esforço da constante perseguição. Para a regularidade goleadora da Alemanha muito conribuiu Miro Schluroff, autor de sete golos em oito tentativas.
Na busca da reviravolta, Kiko Costa foi o mais inconformado. Marcou 10 vezes, um registo ofensivo bem distante do dos seus companheiros.
Um resultado diferente parecia estar ao alcance de Portugal, escorregando entre receções pouco conseguidas, as defesas de Wolff, a falta de transcendência dos guardiões da equipa de Paulo Jorge Pereira. O selecionador terminou num ataque de nervos, revolta de quem teve a possibilidade de pontuar ali, tanto tempo à distância de um golo, aparentemente pouco, mas muito quando um lobo uiva na baliza rival.
Segue-se a França, sábado, também às 14h30. Depois, segunda-feira, é a Noruega, quarta-feira é Espanha, sempre às 14h30. Os dois primeiros do grupo rumam às desejadas meias-finais.