Portugal não foi Portugal e a descaracterização só podia dar em derrota contra a França
Nicolas Tournat marca um dos golos da vitória francesa
Sebastian Elias Uth
A seleção fez uma primeira parte péssima e, como consequência, foi batida (46-38) pelos gauleses. Na sequência de uma exibição que só se endireitou no segundo tempo, Portugal segue com duas derrotas na main round
O desagrado de Paulo Jorge Pereira era, a meio do primeiro tempo contra a França, uma evidência visual e sonora. De cara trancada e voz rígida, o técnico atestava as dificuldades de uma equipa que se habituou a ombrear com os gigantes, que há 12 meses ficou a um remate de levar os gauleses ao prolongamento, mas que colapsou em Herning.
Na segunda ronda da main draw, na sequência de perder com a Alemanha, a seleção voltou a sair derrotada, novamente contra uma potência da modalidade. Os 46-38são, até, um marcador simpático para quem foi tão inferior durante tantos minutos, maquilhando a desvantagem no segundo tempo.
Em poucas palavras, a primeira parte portuguesa foi um desastre. Ainda o encontro era uma criança e já a equipa nacional perdia por quatro golos, quase sempre fruto de ataques rápidos dos adversários. Portugal falhava golos, os franceses marcavam-nos, o ascendente psicológico ia crescendo. Estava 28-15 ao descanso, quando a derrota era uma formalidade que aguardava confirmação.
Perante a insatisfação de Paulo Jorge Pereira, os franceses celebram
Sebastian Elias Uth
Desde o arranque que se escreveu uma história de falta de acerto português. França foi a madrugada simbólica desta nova era, com o 29-28 que deu apuramento para os Jogos Olímpicos de Tóquio, em 2021, mas as boas memórias ficaram-se pelo pasado.
Os que vestiam de azul não falharam qualquer um dos seus primeiros 20 remates, uma percentagem de êxito absolutamente anormal. Por contraste, Bozinger, o guardião francês, travou cinco dos primeiros 12 tiros adversários. Os guardiões portugueses precisaram de enfrentar 42 finalizações para obterem cinco paradas.
A certa altura da primeira parte, temeu-se um desaire que cheirasse a humilhação. Chegando a uma desvantagem máxima de 14 pontos, a equipa que foi quarta do passado Mundial era um coletivo apagado, cabisbaixo, sem a chama habitual.
pierre cornette - USDK Dunkerque Handball Grand Littoral
No entanto, mesmo numa tarde infeliz, entrou em cena a competitividade desta seleção. Não se deixaram levar, empenharam-se em evitar contornos pouco dignos para quem está neste nível.
Gustavo Capdeville, com zero defesas na primeira parte, travou cinco tentativas do adversário. Se Martim e Kiko Costa, com apenas cinco golos entre eles, estiveram em dia não, houve Salvador Salvador, Luís Frande, Diogo Branquinhou ou Ricardo Brandão a aumentar as percentagens de acerto dos derrotados.
França nunca deixou de marcar, mas Portugal passou, também, a fazê-lo. Da desvantagem de 13 ao descanso passou-se para os oito no apito final, a mais magra diferença desde bem cedo na metade inicial.
Foi o jogo da história dos Europeus de andebol com mais golos. Na main draw, Portugal defronta, segunda-feira, a Noruega, seguindo-se Espanha, sempre às 14h30. Chegar às meias-finais e à desejada medalha complicou-se.