Andebol

António Areia mostrou que o trauma está superado e marcou o melhor golo do Europeu de andebol

António Areia a celebrar um dos golos que marcou no Campeonato da Europa
António Areia a celebrar um dos golos que marcou no Campeonato da Europa
Bo Amstrup

O remate em jeito na vitória contra a Dinamarca foi distinguido pela EHF. O ponta juntou-se a Francisco Costa (melhor lateral direito e melhor jovem) e a Salvador Salvador (melhor defensor) no lote de portugueses premiados

O jogo mais importante de sempre do andebol nacional é um reconhecimento em constante renovação. Até fevereiro de 2025, a seleção portuguesa nunca tinha estado numa posição tão flagrante para conseguir uma medalha num grande torneio. António Areia teve na mão esquerda a hipótese de empatar a partida contra a França e levar a luta pelo bronze no Mundial para o prolongamento. Mesmo cheio de ângulo, o remate do ponta foi pouco meticuloso e acabou parado pela traumática careca de Charles Bolzinger.

Um ano mais tarde, antes do Euro 2026, a Federação Portuguesa de Andebol fez um daqueles vídeos com potencial para se tornarem virais em que perguntou a António Areia, Francisco Costa e Victor Iturriza qual deles era mais provável de fazer uma rosca num lance decisivo. A questão remexeu na gaveta dos assombros e o jogador do Tremblay, de França, rapidamente se imaginou a finalizar de uma maneira diferente o lance do Mundial. “Era o que devia ter feito”, desabafou claramente com ideias para quando se visse na mesma situação.

No tal desfolhar de jogos mais importantes de sempre, Portugal cruzou-se com a desconcertante imponência da Dinamarca, atual campeã da Europa, do Mundo e Olímpica. Por se ter mantido firme em momentos decisivos, a equipa de Paulo Jorge Pereira teve hipótese de ganhar aos nórdicos na fase de grupos do Euro 2026. Numa fase crítica dos 60 minutos de emoção, os dinamarqueses andavam colados aos irmãos Costa e António Areia aproveitou para se libertar e fazer aquele que a EHF considerou o melhor golo da competição.

A impulsão para o voo sobre a área foi feita ao pé-coxinho. O salto teve que ser dado com o apoio da perna esquerda, membro que se encontra no mesmo hemisfério que a mão canhota autora do remate. Até parece um pormenor perante o efeito com que a bola foi enfeitiçada para contornar o guarda-redes enquanto fazia, simultaneamente, um movimento de rotação e outro de translação até ao ângulo superior.

O organismo que gere o andebol europeu voltou a mostrar apreço pela prestação de Portugal na prova. Anteriormente, Francisco Costa tinha sido reconhecido como o melhor lateral direito e como o melhor jovem. Salvador Salvador foi distinguido como o melhor defesa do torneio.

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