Uma campanha publicitária protagonizada por Sydney Sweeney está novamente a gerar críticas. Em “Just Sports”, criada para a plataforma de apostas desportivas Novig, a atriz norte-americana, de 29 anos, conhecida por séries como “Euphoria“ ou “White Lotus“, surge nua ou semidespida, com bolas de futebol americano, raquetes, tacos e outros equipamentos desportivos a cobrir-lhe o corpo. Aparece sentada sobre um cesto de basquetebol, simula jogar ténis, hóquei no gelo, beisebol e termina deitada sobre uma mesa de bilhar.
No anúncio, o desporto serve de cenário. Fora dele, passou para o centro da polémica: atletas de várias modalidades acusam a campanha de sexualizar as mulheres e de reduzir carreiras feitas de treino, esforço e conquistas à aparência.
Sydney Sweeney não se limitou a emprestar o rosto à campanha: tornou-se acionista da empresa e participou na criação do anúncio. “Não gosto de simplesmente pôr a minha cara numa coisa”, explicou em entrevista à “Complex“. O presidente executivo da Novig, Jacob Fortinsky, afirmou à “Front Office Sports“ que foi a atriz quem procurou a empresa e ajudou a construir a mensagem da campanha.
A primeira resposta com grande alcance partiu de Gracie Kramer. A antiga ginasta norte-americana publicou imagens das suas provas acompanhadas pela frase: “Não sei o que Sydney Sweeney estava a fazer, mas é assim uma mulher no desporto.” A publicação deu origem a uma contra-campanha informal, com atletas de várias modalidades a mostrarem treinos, competições, quedas e medalhas para contestarem uma representação que consideram redutora e sexualizada.
Uma das reações mais fortes chegou poucos minutos depois de uma corrida. Amy Hunt tinha acabado de alcançar a melhor marca da época, 22.10 segundos, e de terminar em quarto lugar na final dos 200 metros do Ultimate Championship de atletismo, em Budapeste, quando olhou para a câmara e atirou: “Sydney Sweeney, é assim que são as mulheres no desporto. [...] Trabalho árduo, sangue, suor, lágrimas.”
Esta terça-feira, Amy Hunt esclareceu que a reação não é pessoal contra a atriz, mas contra a imagem escolhida para vender um produto ligado ao desporto. “O desporto nem sempre é atraente. Às vezes, é vomitar num canto da pista ou acabar um treino a chorar”, acrescentou, em declarações reproduzidas pela Sky Sports.
Na Austrália, Ariarne Titmus, quatro vezes campeã olímpica de natação, disse pensar que este tipo de marketing “de treta” já pertencia ao passado. “Não consigo descrever a indignação que sinto quando vejo isto”, escreveu no Instagram. “Não é apenas um pontapé na cara de todas as mulheres que dedicaram a vida a aperfeiçoar aquilo que fazem, mas também de todas as que gostam do desporto por aquilo que ele realmente é: trabalho de equipa, amizade, dedicação, excelência e união.” E perguntou: “Como é possível vivermos num mundo em que monetizar o corpo de uma mulher e sexualizar o desporto feminino continua a ser uma realidade?”
À contestação juntaram-se a campeã olímpica de ciclismo Sophie Capewell, que imaginou “um mundo onde as mulheres fossem vistas pelo que conseguem fazer, não apenas pela aparência”, a nadadora Lani Pallister e a medalhada olímpica de polo aquático Tilly Kearns. A campeã mundial de boxe Skye Nicolson distinguiu entre “parecer sexy porque se pratica desporto” e “usar sexo para vender desporto”.
Sydney Sweeney não respondeu diretamente às atletas. No domingo, publicou nas histórias do Instagram fotografias da antiga edição “Body Issue” da ESPN, nas quais desportistas como Serena Williams, Ronda Rousey ou Megan Rapinoe posaram nuas ou seminuas. A publicação, feita sem qualquer explicação, foi interpretada como uma resposta indireta.
É a segunda vez em pouco mais de um ano que uma campanha da atriz provoca uma polémica internacional, depois do anúncio “Sydney Sweeney Has Great Jeans”, da American Eagle.
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