Se as baixas temperaturas são o inimigo do público e das equipas de assistência, para os pilotos e máquinas a ameaça vem das ribeiras muito cheias e das zonas mais esburacadas e enlameadas do terródromo onde se disputam, desde as 15 horas deste sábado, dia 2 de Dezembro, as 24 Horas TT de Fronteira
Às 15 horas em ponto deste sábado dia 2 de dezembro, um ronco fenomenal de motores e alguma fumarada assinalaram a partida da 25.ª edição das BP Ultimate 24 Horas, organizadas pelo ACP e que trouxeram muito milhares de espectadores à vila alentejana de Fronteira. Para quem larga das últimas filas, a tarefa é simples: antever os buracos que se vão abrir no pelotão e tentar esgueirar-se por eles, de preferência sem chapa amolgada. Depressa o comboio de viaturas se alonga e às tantas damos por nós a rodar praticamente sozinhos. Até que, duas voltas depois, começamos a ser apanhados pela cabeça da corrida e a perder as primeiras voltas para os mais rápidos. Que surgem que nem relâmpagos nos nossos espelhos e nos obrigam a desafiar aquela lei da física clássica segundo a qual dois corpos não podem ocupar simultaneamente o mesmo espaço. No terródromo de Fronteira não é exatamente assim e o efeito é de arrepiar…
Uma ribeira (quase) sem fundo
Entretanto já se conseguem atravessar as ribeiras, ainda que estas nos dêem água pela barba, nalguns casos literalmente falando. À primeira travessia do Rio Grande no Porto do Cego o motor do nosso Patrol GR ia, como se costuma dizer, bebendo o pirolito. Descobrimos à nossa custa que, ou passamos completamente encostados à esquerda (do lado donde vem a corrente) ou nos arriscamos a ir a banhos.
O momento da ultrapassagem do nosso carro pelo protótipo de Alexandre Andrade no vau do Burrinho
Outra constatação é que a pista, embora não se tendo degradado tanto quanto se receou, tem algumas zonas muito degradadas e esburacadas. Para alem do que, nos locais onde há lama, esta escorrega que nem manteiga, apontando a frente do carro para onde calha e às vezes não interessa: pedregulhos, sobreiros, taludes, etc. E ainda é preciso termos artes de nos desviarmos dos “aviões” que é como quem diz dos mais rápidos.
A lotaria dos azares próprios e alheios
Entretanto, vão surgindo sucessivos percalços: esguichos do limpa-vidros que deixam de funcionar, faróis que se apagam, tubos dos circuitos de refrigeração ou de travagem que entregam a alma ao criador e por aí fora. É por isso que uma corrida destas se transforma quase sempre num exercício de superação e de improviso, com as braçadeiras de plástico, a fita americana e os bocados de câmara-de-ar a permitirem resolver problemas aparentemente insolúveis.
A frente da corrida cedo perdeu um dos protagonistas, a Toyota Hilux Overdrive V8 do campeão nacional de TT Tiago Reis a ficar pelo caminho logo na primeira volta, aparentemente com a caixa de velocidades partida. Com pouco mais de seis horas de prova, a vantagem vai, para já, para os vencedores do ano passado (Laurent Poletti, Franck Cuisinier e outros) em protótipo MMP, seguidos pela equipa luso-francesa de Manuel Aires em Fouquet Nissan e com a equipa Andrade na terceira posição em Clio 5 V6 Proto. Registe-se a quarta posição de uma Nissan Navara D22 do agrupamento T2 ou seja relativamente próxima do carro de série duma equipa lusa: Henrique Lourenço, Ricardo Sobral, João Lourenço e Nuno Sousa.
Pela nossa parte rodamos mais perto das últimas posições do que gostaríamos mas a noite é longa e esperemos que venha a ser nossa. Amanhã vos contarei se assim foi.