A longa noite de Fronteira (numa pista com muito buraco)
Foram mais de 12 horas a guiar à luz do lampião nesta 25.ª edição das 24 Horas TT de Fronteira, prova que termina este domingo, às 15 horas
Jornalista
Foram mais de 12 horas a guiar à luz do lampião nesta 25.ª edição das 24 Horas TT de Fronteira, prova que termina este domingo, às 15 horas
Se de noite todos os gatos são pardos, no terródromo de Fronteira todos os buracos e valas são fundos. Ou, pelo menos, parecem quando os faróis os iluminam. Nesta 25.ª edição da mais internacional e famosa das provas portuguesas de resistência em todo-o-terreno a noite, ou seja o período sem luz entre as seis da tarde de sábado e as sete da manhã de domingo foi tão longa como dura: algumas armadilhas escondidas no escuro, um ou outro troço muito degradado e as ribeiras a darem um ar da sua graça, coisa que já por aqui não se via há um bom par de anos.
A luta pelos primeiros lugares foi intensa com o protótipo MMP da equipa n.º 1 (vencedora do ano passado, tendo como primeiros pilotos Frank Cuisinier e Laurent Poletti) a ceder a primazia a um outro protótipo, o Fouquet Nissan com o n.º 60, pilotado por Manuel Aires e três companheiros de equipa franceses. E era assim que as coisas estavam cerca das 11 da manhã, a quatro horas do final da prova. Destaque para a presença no terceiro lugar de outra equipa luso-francesa (o MMP de Claude Fournier, Ricardo Porem e mais dois compatriotas) e nos quarto e quinto lugares duas pick-ups Nissan, uma Navara em Promoção C (tendo como primeiro piloto Ricardo Soares) e uma outra Navara da categoria T2, ou seja relativamente próxima dos carros de série, a da equipa capitaneada por Henrique Lourenço e que nunca andou longe do pódio.
Problemas diversos atiravam a equipa de Alexandre Andrade, recordista de vitórias nesta prova para o meio da tabela, enquanto a Toyota Hilux Overdrive V8 do campeão nacional de TT Tiago Reis regressava finalmente à pista depois de uma longa sessão de “bricolage” mas relegada para os últimos lugares.
No outro extremo da tabela a chamada luta pela manutenção também era dura. Numa ilustração perfeita da lei de Murphy, sucederam-se os contratempos com o nosso Patrol GR: primeiro um tubo de água roto, depois problemas eléctricos crónicos interferindo com o esguicho do lava vidros (algo crítico com tanta lama), os faróis dianteiros, os farolins traseiros e tudo o mais que tenha fios de cobre por onde passe corrente eléctrica. No meu turno de condução a partir da meia-noite não faltaram voos e saltos, até conseguir perceber onde estavam as rampas de lançamento respectivas. E, louvado seja o engenheiro aeroespacial Edward Murphy, quando os primeiros raios de sol começaram a iluminar a pista, a alimentação de gasóleo começou a falhar.
Mas ainda por cá andamos em prova e, tal como as equipas de futebol do fundo da tabela, estamos condenados a fazer contas para ficarmos classificados, ou seja conseguirmos percorrer pelo menos 40% das voltas da equipa vencedora. Assim o venerável Nissan Patrol GR se aguente nas canetas nas suas últimas 24 Horas de Fronteira. Por alguma coisa pusemos um autocolante na porta traseira dizendo “é o último ano que passas por nós” e outro na porta do condutor proclamando “há 25 anos que me vês passar…”
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