Numa das edições mais concorridas de sempre, as BP Ultimate 24 Horas TT Vila de Fronteira 2025 trazem 82 equipas vindas de toda a Europa a esta sede de concelho do norte alentejano. A prova está para o TT como as 24 Horas de Le Mans para a Resistência: todos sonham correr neste circuito e chegar ao pódio, seja na classificação geral, seja nas diferentes classes e categorias
Nesta prova que se disputa desde 1998 e que vai, portanto, na sua 27.ª edição, aparecem todo o tipo de veículos: jipes e pick-ups parecidos com os do dia-a-dia, protótipos desenhados para percursos deste tipo, “aranhiços” ou seja SSV como os que nestes últimos anos temos visto no Dakar, sem esquecer as máquinas rolantes mais inesperadas como uma Peugeot 504, um Renault 4 ou um Mercedes 300 parecido com os antigos táxis. Não admira que esta prova traga a Fronteira uma legião de espectadores ao nível da que esta sexta-feira encherá o estádio da Luz para o Benfica-Sporting, senão mesmo maior.
A pista, de 16 km de perímetro, tem todas as situações habituais no TT: passagem de linhas de água (duas grandes e duas pequenas), zonas enlameadas, encadeados de curvas, mau piso, lombas, zonas rápidas, etc. O público concentra-se sobretudo na recta da meta, na zona industrial de Fronteira, existindo uma outra grande zona espectáculo no ponto onde o traçado cruza o Rio Grande de Fronteira.
O sempre emocionante momento da largada, na edição do ano passado
ACP/Interslide
Por aqui passarão pilotos com créditos formados, tanto nacionais como estrangeiros. Para este ano há duas grandes dúvidas: conseguirá alguma equipa lusa quebrar a hegemonia da equipa luso-francesa de Mário Andrade, crónica vencedora das últimas edições? E será desta que um SSV se impõe aos 4x4 tradicionais e aos protótipos franceses?
Velho? Aos 81 anos? Era o que faltava…
Se o prestigiado piloto francês Yves Morize, com sucessivas participações no Dakar, Paris-Pequim, etc é, com os seus 81 anos, o decano da prova, o autor destas linhas é o totalista de Fronteira, tendo participado em todas as 27 edições, só tendo ficado pelo caminho em quatro e conseguindo ganhar a categoria em que concorríamos uma única e saborosa vez.
A longa e gélida noite de Fronteira
ACP/Interslide
Tal como o ano passado, partilho o volante de um UMM (muito) melhorado com os meus amigos nortenhos Manuel e Fernando Azevedo, Mário Alves e Luis Alemão. Já na manhã desta sexta-feira, nos treinos livres, dei duas voltas à pista, que se apresentava muito molhada e escorregadia, tendo feito fugir em pânico à minha frente uma vedação e alguns sobreiros que teimaram em querer disputar a trajectória comigo…
Sábado, às 15h, lá estarei para tomar lugar na grelha de partida e fazer o arranque desta prova. Prezado público, faça, portanto, o favor de aguardar pelas próximas crónicas que irão saindo aqui na Tribuna Expresso com as incidências da corrida e as peripécias desta vista ao volante. A meta será cortada às 15 horas de domingo e por lá espero estar para aplaudir os meus companheiros de equipa à vista da bandeira de xadrez.