Automobilismo

João Ferreira é um possível vencedor do Dakar. Palavra de Stéphane Peterhansel e Carlos Sainz

João Ferreira conduz um Toyota na edição de 2026 do Dakar
João Ferreira conduz um Toyota na edição de 2026 do Dakar

O piloto português, de 26 e atual 12º classificado do Dakar na categoria principal (Ultimate) dos carros, é visto por duas lendas do rali como um candidatos futuros a conquistar a mais mítica prova de todo-o-terreno. Com o tempo, vai estar a lutar pela vitória”, antevê Peterhansel, vencedor de 14 edições da corrida

Pilotos veteranos do rali Dakar, como o espanhol Carlos Sainz (Ford) ou o francês Stéphane Peterhansel (Land Rover) apontam o português João Ferreira (Toyota) como um possível vencedor da prova nos tempos mais próximos.

Em declarações à agência Lusa durante o dia de descanso da 48ª edição da prova, que se disputa até 17 de janeiro na Arábia Saudita, Peterhansel, recordista de vitórias com 14 triunfos (seis nas motas e oito nos carros) em 35 participações, antevê um futuro vitorioso para o piloto português de 26 anos.

“O João Ferreira é muito rápido, sobretudo nas pistas mais técnicas. Com o tempo, vai estar a lutar pela vitória”, disse. Aos 60 anos, Stéphane Peterhansel regressou ao Dakar após um ano de interregno, agora para liderar o projeto da Land Rover com o Defender, na categoria Stock, para os carros derivados de veículos de série (semelhantes aos vendidos ao público).

Apesar de já não estar a lutar pelos lugares cimeiros, o piloto francês, que já venceu 84 especiais no Dakar, diz que tomou a decisão “por uma questão de segurança”.

“Quando decidi fazer esta categoria, o meu objetivo era claro. Queria correr menos riscos. Tive a possibilidade de continuar na Ultimate [a categoria principal], mas não há nenhuma frustração para mim. Durante 25 anos lutei pelos primeiros lugares, mas voltar numa equipa destas é muito agradável. Estou a ajudar a desenvolver o projeto”, explicou.

Mesmo assim, admite que, agora, “é uma corrida diferente”, pois está enquadrado no meio do pelotão. “Mas há menos stress. É uma categoria interessante para pilotar, a equipa é boa, é bom estar aqui”, frisou.

Este ano estará de volta a Portugal, país em que já não corre desde 2016, ano em que disputou a Baja de Portalegre, mas agora para competir no Rali-Raid, prova do campeonato do mundo da modalidade, em março. “Já nem me lembro da última vez em que estive a correr em Portugal. Estou muito contente por voltar, tem muitos adeptos dos desportos motorizados”, garantiu.

Também o espanhol Carlos Sainz, antigo bicampeão mundial de ralis (1990 e 1992), antevê um futuro promissor para o piloto de Leiria, que defende as cores oficiais da Toyota e com o qual discutiu a sexta etapa desta 48ª edição do Dakar.

“É um excelente piloto, com boa atitude, muito talento. Sem dúvida que tem potencial para um dia ganhar o Dakar”, sublinhou o piloto espanhol. Carlos Sainz é, atualmente, o quarto classificado do Dakar, a 11.49 minutos do líder, o qatari Nasser Al-Attiyah (Dácia Sandrider).

Apesar de algum tempo perdido nas primeiras etapas com furos sofridos, acredita que ainda pode discutir a vitória e dá o mote: “Temos de atacar.” Carlos Sainz é pai do piloto de Fórmula 1 Carlos Sainz Jr., que no ano passado trocou a Ferrari pela Williams.

Ao comentar a carreira do filho e com o campeonato do mundo de F1 a dois meses de começar, espera que a equipa britânica “tenha feito os trabalhos de casa”, num ano em que se mudaram os regulamentos técnicos da competição. “É muito difícil colocar um objetivo sem saber como estará o carro. Espero que corra bem. No ano passado foi melhor do que esperávamos. Vamos ver se a equipa fez os trabalhos de casa com os novos regulamentos”, frisou.

Apesar de, no seu caso, ter trocado de categoria, depois de terminada a carreira no Mundial de Ralis (WRC), não se vê muito otimista quanto à possibilidade de o filho seguir as suas pisadas e trocar a Fórmula 1 pelo Dakar.

“Se vier, será dentro de muitos anos”, concluiu.

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