Com muita força interior, o Benfica ganhou a Supertaça de basquetebol
Benfica celebra a conquista
PAULO NOVAIS
O Benfica conquistou a Supertaça de basquetebol pela 16ª vez. No Pavilhão Dr. Mário Mexia, em Coimbra, os encarnados ganharam ao FC Porto por 26 pontos (91-65), dando seguimento ao atropelamento de rivais
A Supertaça foi um confronto de estilos entre uma equipa madura e uma equipa em construção, entre uma equipa meticulosa e uma equipa que deixou o cruise control programado em velocidades desapropriadas. As virtudes foram propriedade do Benfica, que ganhou o troféu pela 16ª vez, numa final desequilibrada a favor do processo mais consolidado, da autoria de Norberto Alves.
Se uma das vertentes do basquetebol fosse o contrarrelógio por equipas, o FC Porto faria um tempo muito melhor que o Benfica num percurso de semelhante quilometragem. A recente reestruturação dotou o plantel azul e branco de poder atlético. Cornelius Hudson juntou-se ao conjunto fulgurante de indivíduos que podem conduzir o ataque do FC Porto a ritmos frenéticos, tais como Wes Washpun ou Tanner Omlid, a fazer o primeiro jogo após lesão.
Porém, quando o jogo está em lume brando, o Benfica sobrevive melhor à complexidade labiríntica que é chegar ao cesto. Geno Crandall (12 pontos, 4 assistências) poderá ter passado ao lado de uma grande carreira como malabarista no Cirque du Soleil. Os improváveis ângulos de passe desnudam-lhe o cérebro para que o possamos ver a raciocinar. Foi muito disso que o Benfica viveu na Supertaça: saber escolher e pensar as vantagens. Makrem Ben Romdhane, Aleksander Dziewa e Justice Sueing (este último já tinha um duplo-duplo ao intervalo – 19 pontos, 15 ressaltos) possuíam os centímetros com que o Benfica atolava o FC Porto no antro da área pintada, zona em que marcou 30 pontos.
Foi a segunda vez que as equipas se enfrentaram esta época
PAULO NOVAIS
Pouco depois do intervalo, pausa à qual o Benfica chegou a vencer por 46-36, Fernando Sá teve que pedir pausa técnica para abrandar o parcial de 9-0 dos encarnados. Estava irritadíssimo o treinador dos dragões, um óbvio contraste com a serenidade do conjunto de pessoas que invadiu a quadra para uma demonstração de dança contemporânea de pouca eletricidade, mas muita elegância.
Cornelius Hudson empanturrou-se de faltas, fragilizando uma equipa pouco profunda. Aliás, todos os jogadores do cinco inicial terminaram com pelo menos quatros infrações. Pelo contrário, no Benfica, quem vinha do banco entrava tão bem ou melhor. Aos 40 anos, Betinho Gomes (16 pontos) ainda consegue ser dos mais vívidos nos campos em que entra. Enquanto mantiver a afinação no tiro exterior (4 triplos em 7 tentados) e a perspicácia defensiva, prolongará a carreira por muitos anos.
Esta época, o Benfica já fez três jogos contra os rivais diretos. Num, arrasou o Sporting por 37 pontos. Nos outros dois, venceu o FC Porto por 29 e, desta vez, por 26. Apesar de não ter ameaçado sobreviver na fase à grupos da Liga dos Campeões, o domínio interno mantém-se intacto.