Basquetebol

A mulher mais alta do mundo para o Guinness é mais baixa do que Zhang Ziyu, a basquetebolista chinesa de 2,23 metros

As defensoras dos Estados Unidos a degladiarem-se com a chinesa Zhang Ziyu durante a partida do Mundial de basquetebol feminino
As defensoras dos Estados Unidos a degladiarem-se com a chinesa Zhang Ziyu durante a partida do Mundial de basquetebol feminino

Quando se colocam ao lado dela, as adversárias de Zhang Ziyu no Mundial de basquetebol feminino ficam boquiabertas. A internacional chinesa de 19 anos tem impressionado pela altura nunca vista: nem na WNBA, onde o recorde se fixa nos 2,18m. A gigante que junto ao cesto demonstra a mesma fineza que possui no tricô tem tido ainda mais protagonismo, porque o passaporte de uma das estrelas da seleção perdeu-se nos correios

Rumeysa Gelgi é web developer. Como acontece com quase todas as ocupações que é aceitável referir com recurso à língua inglesa, o zénite situa-se em Silicon Valley. Não sendo propriamente vizinha da incubadora, a realização profissional da mulher turca estava a uma complexa operação logística de distância.

Para alguém com 2,15 m, apanhar um voo acarreta esforços redobrados. Na primeira vez que o fez, a companhia aérea que se encarregou da viagem pôs à disposição de Rumeysa Gelgi seis lugares, espaço necessário para cruzar na horizontal a autoestrada de nuvens até aos Estados Unidos. A altura desmesurada é um condicionamento flagrante compensado pelo estatuto de mulher mais alta do mundo.

Ter brotado até tão perto da porta de saída da camada da atmosfera foi um efeito da síndrome de Weaver. A compleição vale-lhe, desde 2021, um lugar no Guinness World Records, a caderneta de cromos dos humanos mais raros. A compilação dos elementos mais extremos da raça é feita a partir de candidaturas, o que exclui todos aqueles que não se colocam ao dispor da avaliação dos especialistas.

O Guinness não varreu todas as vielas do universo: se o tivesse feito, a chinesa Zhang Ziyu podia ser a detentora do título. A basquetebolista de 19 anos atinge os 2,23m, de acordo com as medições da FIBA (Federação Internacional de Basquetebol) - são mais 10 centímetros do que Neemias Queta. Apesar do sucesso na modalidade não depender exclusivamente da altura, a estatura concede-lhe uma franca vantagem.

O Mundial, que decorre em Berlim, coloca as melhores jogadoras do planeta no mesmo expositor. A China estreou-se na competição contra os Estados Unidos. A seleção norte-americana procura o quinto título consecutivo e está empenhada em consegui-lo. As vingadoras responderam ao chamamento e juntaram-se para cumprir a missão. No decorrer da estreia, ao encontrarem-se com Zhang Ziyu, ficaram boquiabertas.

Paige Bueckers, de 1,83 m, junto de Zhang Ziyu, de 2,23 m
FIBA

A imagem é semelhante à de um adulto que levanta um objeto para que uma criança o tente alcançar sem que o petiz tenha reais hipóteses. Quando Zhang Ziyu coloca a bola acima da cabeça faz as adversárias andaram para trás no tempo e sentirem-se de novo meninas. “É um tipo de jogo diferente do que alguma vez joguei na minha vida. Nunca joguei contra uma jogadora deste tamanho”, confessou Caitlin Clark, estrela dos Estados Unidos que fica 40 centímetros aquém da oponente.

O Mundial deu-lhe uma exposição maior do que o campeonato chinês, onde representa as Shandong Six Stars. Na WNBA, a melhor liga do mundo, nunca existiu alguém de altura semelhante. O recorde pertence a Margo Dydek, poste polaca de 2,18m. Atualmente, a jogadora mais alta é Han Xu, de 2,05m, que apadrinha Zhang Ziyu na seleção chinesa.

A gigante com a minúcia do tricô

Apesar de tudo, os desempenhos não se medem com fita métrica. O domínio de Zhang Ziyu no patamar competitivo mais elevado ainda não se equipara ao que exibiu nas competições jovens. Há dois anos imperou na Taça Asiática sub-18 com médias de 35 pontos e 12,8 ressaltos, insuficiente para ultrapassar a Austrália na final.

Possivelmente saltando passos na evolução, Zhang Ziyu está a receber uma dose inflacionada de minutos no Mundial 2026. A aposta da China no jogo interior exigiu que a jovem desse um passo em frente depois de se saber que Li Yueru iria falhar a competição. Outra das estrelas da equipa, que atua na WNBA, esperava receber o passaporte nos Estados Unidos, mas o documento perdeu-se nos correios, situação que a impediu de viajar para a Alemanha.

Zhang Ziyu tem somado mais minutos no Mundial na posição de poste devido à ausência de Li Yueru

O precoce fenómeno nas redes sociais é um desafio científico para os técnicos da China. Quando Zhang Ziyu chegou à equipa principal, a seleção contratou preparadores físicos, especialistas em reabilitação e nutricionistas para a acompanharem individualmente. Afinal, o tamanho faz exigências superiores às articulações e evitar problemas físicos é primordial para a evolução. Durante o aquecimento para os jogos, o trabalho específico é visível através de um rotina peculiar que inclui um treinador que a esgravata para simular os contactos que as defensoras lhe vão aplicar.

Apontam-lhe a mobilidade como principal aspeto a melhorar. Pelo contrário, junto ao cesto, nem precisa de saltar para se impor. À capacidade física alia um tato aprimorado para lançar a curtas distâncias. A fineza das manápulas vem do tricô, atividade que lhe alivia a pressão imposta para que aproveite as características inatas e se imortalize na modalidade.

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