A bola ao ar do campeonato português de basquetebol foi dada pelo FC Porto e pelo seu pequeno base de 1,67 metros
Childe Dundão é o atual MVP do AfroBasket
Federação Portuguesa de Basquetebol
Apesar da baixa estatura, Childe Dundão dá lições de como contornar a falta de centímetros. O base é um dos reforços do FC Porto numa época em que os dragões vão defender o título e em que se preparam para participar na Liga dos Campeões. O angolano de 28 anos já começou a mostrar que não tem medo dos gigantes no jogo inaugural do campeonato, contra o Queluz
O basquetebol é o covil das figuras pantagruélicas. Trata-se de uma das gavetas principais para os atletas que, devido à sua dimensão, veem nele um lugar onde não têm que encolher as pernas para se conseguirem encaixar.
A altura parece um requisito obrigatório para alcançar um aro que se encontra a 3,05m. Porém, há outros métodos para chegar ao ramo com fruto, aparentemente inacessível para os corpos que menos medram. Childe Dundão é a prova de que nenhuma limitação é insuperável.
Na época passada, o FC Porto sagrou-se campeão nacional de basquetebol uma década depois da última conquista. Os dragões iniciaram a defesa do título em Queluz com novidades para apresentar. Uma delas foi o base angolano de apenas 1,67m, membro do quinteto de reforços.
A teórica inferioridade dissipou-se assim que a bola foi ao ar no jogo inaugural do campeonato português de basquetebol. Childe Dundão marcou 15 pontos, ganhou quatro ressaltos e fez quatro assistências. O aspeto mais notável da sua exibição foi a localização dos tiros. Os cinco lançamentos de campo concretizados efetuou-os a menos de 1,25m do cesto, ou seja, no local onde normalmente os gigantes baixam as cancelas para abafar quem se aproxima demasiado.
O treinador do FC Porto, Fernando Sá, gabou-lhe o talento no momento da apresentação da cara nova. “É um jogador extremamente veloz, agressivo, capaz de marcar pontos, de assistir e de trazer muita energia ao jogo.”
O ex-Petro de Luanda integrou o melhor cinco da última edição da BAL, uma espécie de NBA do continente africano
Julien Bacot/BAL
São traços que se enquadram nas tendências do basquetebol moderno. Note-se que foi introduzida nas competições nacionais uma nova regra que permite às equipas realizarem as reposições no meio-campo defensivo sem a necessidade da autorização dos árbitros. A rapidez proporcionada pela alteração fez o resultado do Queluz-FC Porto cavalgar até aos 93-110.
Estatuto para comprovar na Europa
Childe Dundão deixou pela primeira vez Angola aos 28 anos e aterrou num contexto exigente. Esta época, os dragões vão representar o basquetebol português na Liga dos Campeões (o Benfica falhou a qualificação). Nada a que não esteja habituado.
O base foi MVP do AfroBasket 2025, torneio continental que a seleção angolana venceu. Foi considerado o melhor jogador do torneio mesmo rodeado por reputados jogadores, como Bruno Fernando, que passou seis anos na NBA e tem girado pelas melhores equipas da EuroLeague (atualmente está nos turcos do Anadolu Efes) ou Jilson Bango, que ganhou a EuroLeague pelo Fenerbahçe (foi afetado por uma grave lesão no joelho).
No caminho até à conquista, Angola teve que ultrapassar adversários como o Sudão do Sul, seleção que esteve nos últimos Jogos Olímpicos e que na preparação para Paris 2024 ficou perto de ganhar à Dream Team dos Estados Unidos. Childe Dundão destacou-se apesar da qualidade da competição e alargou a lista de MVP’s do AfroBasket capazes de vingar em Portugal, seguindo os exemplos recentes de Carlos Morais e Makram Ben Romdhane.
Childe Dundão começou a jogar no Petro, numa equipa de jovens que só tinha equipamentos graças à carolice do treinador. O clube de Luanda foi o único que representou até rumar aos azuis e brancos. Na capital de Angola, deixa um rasto de conquistas e reconhecimentos individuais. Ganhou a Basketball Africa League, uma espécie de NBA do continente africano, em 2024 e chegou ao FC Porto após integrar o melhor cinco da competição na temporada passada. São muitas as credenciais para Fernando Sá testar.