No condomínio privado dos seus pensamentos, José Mourinho deixou o Minho plenamente convicto de que ganhou ao SC Braga por 3-2. A hipotética vitória valeu apenas um ponto que estacionou o Benfica nos 36, a dez do éter da classificação onde paira o FC Porto, situado nos 46 após vencer o AFS (2-0).
Com menor ironia, Rui Costa garantiu que “ninguém vai atirar a toalha ao chão”, porque “os adversários também podem perder pontos”. “Temos de continuar a acreditar no título”, disse o presidente do clube da Luz num esforço por acicatar a crença esmorecida dos adeptos.
A história contrasta com o otimismo do dirigente que, como muitas vezes acontece quando a arbitragem deixa pontas soltas, acorreu aos microfones dos jornalistas para contestar decisões que considera terem prejudicado os encarnados. Para ainda se sagrar campeão e ultrapassar os dragões, o Benfica terá que fazer algo inédito.
O empate a dois golos em Braga, assim ficou estabelecido no resultado oficial, deixou o Benfica com um atraso que o “Playmaker” nunca viu num campeão. A situação mais delicada detetada pela plataforma estatística é atribuída ao Boavista que, em 2000/01, venceu a I Liga após ter estado a oito pontos de distância do primeiro lugar. Nessa ocasião, à 12ª jornada, os axadrezados ainda tinham pela frente SC Braga, Sporting e FC Porto, congestionamento conciliável com uma conquista inédita.
Apesar da margem que, em 2025/26, a equipa de José Mourinho tem na viragem do ano, existe um aspeto favorável. Neste século, o Benfica foi o conjunto que mais vezes colocou as mãos na taça quando, no réveillon, se encontrava com menos pontos que o líder. Aconteceu em três ocasiões: 2004/05, 2015/16 e 2018/19. Boavista (2000/01) e FC Porto (2008/09 e 2019/20) também conseguiram chegar ao título nas mesmas circunstâncias.
A conjetura atual faz o Benfica precisar de ter atenção aos calcanhares. O Gil Vicente está a nove pontos de os morder, diferença mais curta do que aquela que os terceiros classificados têm para o FC Porto.
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