Três pavilhões, um deles com 10 mil lugares, piscina comunitária, campos, um teatro, espaços comerciais, hotéis e renovação do Estádio da Luz. Tudo com 220 milhões de euros e para estar pronto a tempo do Mundial 2030. O projeto “Benfica District” mexeu com o pré-eleições dos encarnados e reforçou-se com a vitória de Rui Costa. No sábado, os sócios do Benfica terão a oportunidade de, em Assembleia Geral, votar contra ou favoravelmente um conceito que dividiu opiniões e foi visto, por alguns candidatos rivais, com um trunfo eleitoral do ex-número 10 encarnado.
Nuno Catarino, vice-presidente do Benfica para a área financeira, tem sido o elemento da direção que mais dá a cara pelo projeto. As questões financeiras preocuparão alguns adeptos, mas o dirigente, tal com em julho, na apresentação oficial do Benfica District, continua a garantir a sustentabilidade do mesmo.
“É um projeto que foi desenhado para ser auto-sustentado, ou seja, são as receitas do projeto que fazem o pagamento dos custos associados ao financiamento do mesmo”, sublinhou numa conferência de imprensa promovida pelo Benfica esta sexta-feira, onde as dúvidas sobre o Benfica District foram tema único. Nuno Catarino certificou ainda que o projeto “vai ter sempre um impacto positivo nas contas do Benfica” e que o plano passa por “uma receita bruta de cerca de 37 milhões de euros”.
“Retirando os custos diretos da exploração do dia a dia do projeto, a margem de contribuição é cerca de 24 milhões de euros”, apontou ainda, garantindo que os custos de financiamento, nomeadamente com juros, são “inferiores” aos 24 milhões de euros de receita.
O diretor financeiro dos encarnados salientou ainda que, durante a construção das infraestruturas, “o Benfica vai continuar a poder investir no plantel e na sua atividade da mesma forma”. A reação dos sócios, diz, tem sido “positiva”. O Benfica promoveu “várias formas de recolher feedback” também da parte de outros adeptos e “da própria comunidade que vive à volta do estádio” e Nuno Catarino assegura que várias das sugestões de melhoria estão a ser incluídas no plano que, caso tenha luz verde por parte dos sócios, vai marcar “os próximos 50 anos” do clube”.
José Gandarez, outro dos vices encarnados presentes na conferência, reafirmou o objetivo de pagar o Benfica District em 15 anos, prometendo um empreendimento que irá “mudar radicalmente a experiência dos adeptos e sócios”, potenciando “em muito” as receitas do clube
“Vamos ter uma centralização diária de atividade à volta do estádio, ou seja, a experiência do adepto não será só no dia de jogo, será todos os dias. Estamos a passar de uma capitalidade desportiva para uma capitalidade de entretenimento”. Para tal, diz o dirigente, o Benfica está a trabalhar “com os maiores experts da área”.
“Isto não é só uma ideia, não é uma megalomania e está ancorado nas melhores práticas a nível mundial”, sublinhou ainda.
NBA mais perto da Luz?
O projetado pavilhão de 10 mil lugares estará dentro dos requisitos para a já anunciada expansão da NBA para a Europa. Mas José Gandarez acalmou um possível entusiasmo, lembrando que ao Benfica poderão faltar outros critérios para vir a receber jogos da nova liga que será promovida pela FIBA e NBA.
“Essa lotação permite-nos concorrer à NBA Europa ao nível da infraestrutura. No entanto, os requisitos financeiros da NBA são muito elevados e não sabemos se o Benfica os conseguirá cumprir no futuro”, frisou, apontando que o objetivo primordial da nova arena é outro: “Preparar o clube para grandes eventos internacionais”.
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