Benfica

José Mourinho: “Não consigo dizer que o Braga mereceu ganhar, o Benfica é que mereceu perder. Fizemos uma 1.ª parte horrível e inaceitável”

Treinador do Benfica entra em campo antes da meia-final da Taça da Liga, frente ao SC Braga
Treinador do Benfica entra em campo antes da meia-final da Taça da Liga, frente ao SC Braga
NurPhoto

Foi um treinador do Benfica muito desgostoso aquele que surgiu na flash interview após a derrota por 3-1 frente ao SC Braga na Taça da Liga. Mourinho criticou o desempenho dos seus jogadores na 1.ª parte e ainda se atirou a João Pinheiro por ter expulsado Otamendi

O que não correu bem?

“Peço desculpa ao Braga e ao Carlos [Vicens], mas eu não consigo dizer que o Braga mereceu ganhar. Tenho de dizer que o Benfica mereceu perder, que é uma coisa diferente. Fomos nós que merecemos perder. Fizemos uma 1.ª parte horrível, com exceção dos primeiros 5 minutos, com uma oportunidade. Mas a partir do momento em que o João Pinheiro assinalou o penálti que depois se viu que era fora da área, a partir desse momento, em vez de haver um clique positivo, houve um clique inexplicável de negatividade, de nervosismo, qualidade horrível em posse, com muitas perdas, perdas de bola com sucessivos contra-ataques, com o Zalazar a explorar bem a profundidade no nosso lado direito, com um segundo golo inaceitável. Uma 1.ª parte horrível a todos os níveis do ponto de vista mental, técnico. Inaceitável numa meia-final de uma competição e em qualquer circunstância, também seria num jogo de pré-época com um dos nossos vizinhos, o Seixal ou o Amora”

2.ª parte

“Na 2.ª parte o oposto. A equipa foi corajosa, agressiva, começou a ganhar duelos, começou a jogar e meteu o Braga encostado as cortas. Acreditámos e ao intervalo falámos sobre isso, era importante o primeiro golo e a partir daí apertá-los mais. Foi o que fizemos. O 3.º golo também é absolutamente inexplicável. Quando as minhas equipas estão à procura de virar resultados digo que é preciso virar, sim, mas para virar não podemos cometer erros defensivos. Com 2-1 não era difícil virar, estava ali. Tentámos dar mais profundidade e presença na área e numa bola parada longe da área sofremos o terceiro golo. É a cereja no topo do bolo, no sentido que quem merece perder voltou a fazer qualquer coisa para perder”

Ilações individuais

“Há coisas que se podem dizer internamente e que não se devem dizer exteriormente. Normalmente não falo no balneário depois dos jogos, hoje falei. Mas falei num tom crítico, mas absolutamente calmo, não houve portas pelo ar, nem nada que se pareça. Acabou por ser um monólogo porque eles não estavam em condições de conversarem e de se abrirem, que é uma coisa que terão de fazer. Houve desempenhos individuais inaceitáveis, rendimentos individuais muito baixos, que depois se traduzem numa performance coletiva fraca”

Jogo com o FC Porto e João Pinheiro

“Vamos jogar contra a equipa mais forte em Portugal neste momento, os pontos assim o dizem. Não tenho a certeza se o João Pinheiro será assim com todos os capitães de equipa quando ele arbitra, tenho muitas dúvidas. Parecia que tinha vontade, se calhar é bom para o currículo dele expulsar um campeão do mundo, quando a equipa está desequilibrada emocionalmente. Eu acho que os árbitros têm de ter uma maneira de olhar… uma coisa é um insulto, outra é discussão. Expulsar um jogador quando o jogo está praticamente acabado e nas circunstâncias em que foi, parece-me descabido. Com o António Silva e Otamendi de fora, ir ao Dragão jogar com o Tomás Araújo e um miúdo obviamente que dificulta ainda mais. Esperemos que o orgulho ferido e o sentimento de culpa que todos nós devemos sentir permita aos jogadores dar o melhor de si próprios, como já têm feito em outras ocasiões, como no jogo que fizemos no Dragão. Tenho essa esperança. Mas, honestamente, quem faz o jogo da 1.ª parte, com níveis de auto-estima tão baixos, também deixa um ponto de interrogação”


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