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José Mourinho no Real Madrid será um desejo de um homem só: Florentino Pérez

Florentino Pérez e José Mourinho, em maio de 2010, no dia em que o português assinou contrato para se tornar treinador do Real Madrid
Florentino Pérez e José Mourinho, em maio de 2010, no dia em que o português assinou contrato para se tornar treinador do Real Madrid
Elisa Estrada

O portal “The Athletic” garante que o presidente do Real Madrid quer Mourinho de novo no Santiago Bernabéu, embora em Espanha a notícia tenha passado despercebida. Mas é inegável que o treinador português ainda apela a certas franjas do madridismo, que o veem como um antídoto anti-Barça

De tempos a tempos, geralmente após longos períodos de crise de resultados e identidade, de inferioridade interna e, pior, externa, porque a Champions é um fim em si mesmo para o clube, lá surge o fantasma de José Mourinho, pairando por cima de um agora renovado Santiago Bernabéu. O portal “The Athletic” garante que agora há algo de mais corpóreo do que um simples rumor: Florentino Pérez quer que o treinador português regresse ao Real Madrid na próxima temporada, depois das experiências falhadas com Xabi Alonso e Álvaro Arbeloa.

Escreve o “The Athletic” que o presidente do Real Madrid, tão habituado a chamar a si as maiores decisões desportivas do clube, quer, mais do que alguém que revolucione o futebol merengue, um homem em quem confie e que entenda as necessidades do clube, depois de dois anos sem qualquer troféu. Um cenário não muito diferente do que o português encontrou quando aterrou pela primeira vez em Madrid, em 2010. Aí, porém, vinha de uma Liga dos Campeões conquistada com o Inter, agora seria após anos de instabilidade. Se, em 2010, Mourinho reunia consenso na cúpula do Real Madrid, agora surge como um desejo único de Florentino.

Certo é que a notícia do site que pertence ao “The New York Times” teve pouca ou nenhuma repercussão na imprensa da capital espanhola, normalmente bem informada sobre o presente e futuro do Real Madrid.

O “As” diz até que é o próprio José Mourinho que se tem “colocado intencionalmente na órbita” do clube, enquanto a “Marca” replica apenas o que se vai vociferando na imprensa não-espanhola. Por cá, o “Record” garante que na Luz há tranquilidade em relação à continuidade do treinador para a próxima época, a “Bola” aponta que Mourinho não manteve qualquer contacto direto com o Real Madrid ou qualquer outro clube. A RTP, por outro lado, frisa que já terá mesmo acontecido uma abordagem ao treinador.

Cláusula e uma fórmula já utilizada

O “The Athletic” refere algo que também Mourinho já revelou em comunicações públicas anteriores: o contrato do treinador com o Benfica dura até junho de 2027, mas depois desta época terminar qualquer uma das partes tem 10 dias para rasgar o acordo. Há ainda uma cláusula de 3 milhões de euros para a saída do treinador.

José Mourinho deixou o Real Madrid após três temporadas em que ganhou todos os títulos internos, com destaque para a La Liga dos recordes de pontos e golos, em 2011/12. Mas faltou a sempre desejada Liga dos Campeões, que regressaria à capital espanhola pela mão de dois outros homens da confiança de Florentino Pérez: Carlo Ancelotti e Zinedine Zidane. Eles próprios treinadores com duas passagens pelo banco merengue e com uma aura similar: mais do que taticamente revolucionários, eram gestores de balneário, de egos, duas figuras respeitadas e capazes de administrar um clube que sempre foi mais de jogadores e presidentes do que de treinadores.

Florentino, um presidente que também recusa a sombra, terá esperança que Mourinho, com quem nunca deixou de ter contacto, seja esta figura, mesmo que o treinador português esteja longe de ser uma presença conciliadora por onde tem passado. Nomeadamente no Real Madrid, que deixou em conflito com algumas das principais estrelas, como Iker Casillas, Cristiano Ronaldo ou Sergio Ramos, e com a própria imprensa espanhola.

Mas a forma como o treinador português surgiu como uma espécie de antídoto anti-Barça num momento em que os catalães pareciam embalados para dominar por completo o futebol espanhol e europeu deixou marcas em Madrid - mesmo que não ganhe um campeonato nacional há mais de dez anos, Mourinho ainda faz suspirar de saudades certas franjas madridistas, mesmo depois do caso Prestianni, quando o treinador atacou Vinicius Jr. pelo seu comportamento no Estádio da Luz no play-off da Liga dos Campeões.

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