Marco Silva percorreu o Museu do Benfica e ficou estacionado diante de uma vitrine com alguns troféus, de costas voltadas para os títulos como o clube tem andado. Um momento que era para falar do futuro, começou com uma viagem ao passado.
Para a apresentação, aquele que será treinador do Benfica nas próximas duas épocas – três, se for campeão –, não escolheu nenhum soundbite. Preferiu dar ênfase à necessidade de “agregar”, “unir” e trazer “positividade”, valorizando a “honra” e o “orgulho enorme” de treinar “um clube com a dimensão do Benfica”.
O seu discurso, mais do que orelhudo, foi uma rutura com a vida pretérita do clube. O terceiro lugar no campeonato, a ausência da Liga dos Campeões e o peso do lugar foram temas sensíveis aos quais foi exposto e respondeu com uma postura avessa a comparações que “não interessam”.
O “momento do Benfica” e a própria fase da carreira em que se encontra tornam este o “maior desafio” que já teve. Numa altura em que os encarnados estão a reiniciar, ignora as mensagens dadas pelo contexto. “Se não acreditasse que podia ser campeão, não estava aqui. Acredito muito que eu, a equipa técnica e os jogadores estamos capazes de acrescentar algo para tornar o Benfica campeão. Temos grandes concorrentes, equipas com qualidade que iremos defrontar todas as semanas. Não quero entrar em comparações com quem esteve aqui no passado. Compete-me olhar em frente, trazer a positividade que é importante neste momento para o Benfica.”
Também é no sucesso a curto-prazo que acredita aquele que o elegeu. Rui Costa desejou que o espaço onde se encontravam “no próximo ano tenha mais troféus do que tem hoje", embora na véspera tenha dito que, por si, José Mourinho continuava no Benfica. A secundarização não incomodou Marco Silva, que se sente uma prioridade. “A primeira vez que o presidente falou comigo perguntou se queria ser o treinador do Benfica, se estava disposto a voltar a Portugal e disse que estava à procura de treinador. Quando isto acontece, quer dizer que era a primeira opção para o Benfica. Isso é o mais importante. O que está para trás não me interessa. O convite foi claro e muito aberto”, comentou.
Regressar a Portugal aos 48 anos “não foi uma decisão fácil”. Para trás, ficaram nove épocas em Inglaterra, cinco delas no Fulham. “Custou-me muito criar e consolidar um nome na Premier League”, assumiu perante a dúvida sobre a mudança de ares. O lado emocional “teve um grande peso” que o fez ignorar tudo o resto. “A parte financeira não foi a principal razão. Se fosse, não estava aqui.”
Marco Silva quer devolver o Benfica à conquista de campeonatos através de “uma identidade dominadora”. Por si só, “o plantel tem qualidade”, mas não nega que a estrutura está a trabalhar na aquisição de novos jogadores que se enquadrem com a ideia que a implementar, tudo “dentro das possibilidades do clube e das ambições”. Acima do 4x3x3 ou do 4x4x2, pretende criar uma equipa capaz de se “colar à grande força dos adeptos”.
Desde que deixou o Sporting, em 2014/15, com uma Taça de Portugal, Marco Silva teve apenas oportunidade de lutar por títulos no Olympiacos, onde foi campeão. Após ter subido os cottagers à Premier League, a manutenção foi sendo assegurada com tranquilidade, mas nunca terminou na metade de cima da classificação.
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