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    Benfica exige reunião de emergência com FPF após demissão de Duarte Gomes, FC Porto diz estar a acompanhar caso “com profunda preocupação“

    Duarte Gomes ao lado de Luciano Gonçalves a fazer o balanço da atuação da arbitragem à 10ª jornada do campeonato
    Duarte Gomes ao lado de Luciano Gonçalves a fazer o balanço da atuação da arbitragem à 10ª jornada do campeonato
    MIGUEL A. LOPES

    A tomada de posição dos encarnados ocorre após a própria FPF ter remetido o caso para o Ministério Público, cumprindo o Regime Jurídico da Integridade do Desporto após denúncias formais do ex-árbitro. Duarte Gomes, em comunicado, sublinhou que um árbitro de futebol profissional partilhou consigo “um conjunto de informações que, pelo seu teor e sensibilidade, suscitaram-lhe preocupações institucionais muito relevantes”

    O Benfica pediu esta quarta-feira uma reunião de emergência com a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) para exigir esclarecimentos face às revelações sobre a demissão de Duarte Gomes, motivada alegadamente por interferências incompatíveis com o setor da arbitragem.

    Em comunicado no seu sítio oficial na Internet, os 'encarnados' exigem esclarecimentos completos e garantias de que a arbitragem portuguesa não continuará sujeita a pressões, condicionamentos ou influências que colocam em causa a verdade desportiva.

    O Sport Lisboa e Benfica encara com extrema gravidade as informações tornadas públicas sobre a saída de Duarte Gomes da arbitragem, motivadas por interferências incompatíveis com a independência que deve reger um setor absolutamente essencial para a credibilidade das competições, lê-se.

    O Benfica recorda que, além dos alertas reiterados ao longo da última temporada, já tinha assumido na última Assembleia Geral que esta seria uma época de tolerância zero.

    Reafirmamo-lo hoje: o Sport Lisboa e Benfica será intransigente na defesa da verdade desportiva e exigirá total transparência, independência e responsabilidade de todos aqueles que têm o dever de proteger a credibilidade do futebol português, conclui o clube.

    Também o FC Porto diz estar a acompanhar com profunda preocupação e consternação os factos recentemente tornados públicos relativamente ao setor da arbitragem

    Sem prejuízo do necessário apuramento rigoroso dos factos pelas instâncias competentes, e sem antecipar qualquer conclusão, a gravidade institucional das denúncias agora conhecidas impõe transparência, responsabilidade e respostas urgentes. A arbitragem é um pilar essencial da credibilidade das competições e o futebol português não pode aceitar que o silêncio substitua os esclarecimentos que clubes, árbitros, demais agentes desportivos e adeptos têm o direito de conhecer“, pode ler-se num comunicado lançado no site oficial dos dragões.

    Ao longo da última temporada, o Futebol Clube do Porto realizou diversos alertas públicos de apreensão sobre o modelo de funcionamento do atual Conselho de Arbitragem e sobre o modo como o mesmo estava a afetar o sereno funcionamento das competições e a criar instabilidade nas tomadas de decisão dos árbitros em campo. O tempo confirmou essas preocupações“, escreve ainda o FC Porto, que exige ao Senhor Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, até pelo seu reconhecido passado como árbitro de referência, uma ponderação profunda sobre o estado da arbitragem em Portugal, uma avaliação sobre as suas escolhas para liderar o setor e uma intervenção institucional no sentido de garantir a tranquilidade necessária no arranque das competições nesta temporada.

    Caso segue para o MP

    Na sexta-feira, Duarte Gomes apresentou renúncia ao cargo de diretor técnico da arbitragem na FPF e os motivos alegados, em participação formal ao organismo, levaram agora a federação a expor a situação junto do Ministério Público (MP).

    "Os Presidentes dos Órgãos Sociais da Federação Portuguesa de Futebol (Direção, Mesa da Assembleia Geral, Conselho de Justiça e Conselho de Disciplina) remeteram de imediato os factos relatados para o Ministério Público, cumprindo o disposto no n.º 1 do artigo 6.º do Regime Jurídico da Integridade do Desporto", refere hoje a FPF.

    O n.º 1 do artigo 6.º do Regime Jurídico da Integridade do Desporto refere a denúncia obrigatória "sempre que os agentes desportivos tenham conhecimento ou suspeitem de comportamentos antidesportivos contrários aos valores da verdade, da lealdade e da correção e suscetíveis de alterar de forma fraudulenta uma competição desportiva ou o respetivo resultado".

    O ex-árbitro FIFA já reagiu em comunicado nas redes sociais e explica que no final da época passada, um árbitro de futebol profissional partilhou consigo “um conjunto de informações que, pelo seu teor e sensibilidade, suscitaram-lhe preocupações institucionais muito relevantes.”

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    Duarte Gomes acrescenta que perante isso resolveu proceder a diligências que foram conduzidas com reserva, neutralidade e transparência e explica que no decurso das mesmas concluiu que não era possível restaurar o grau de confiança institucional que considerava essencial ao desempenho do cargo que desempenhava.

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