O Benfica pediu esta quarta-feira uma reunião de emergência com a Federação Portuguesa de Futebol (FPF) para exigir esclarecimentos face às revelações sobre a demissão de Duarte Gomes, motivada alegadamente por “interferências incompatíveis“ com o setor da arbitragem.
Em comunicado no seu sítio oficial na Internet, os 'encarnados' exigem “esclarecimentos completos e garantias de que a arbitragem portuguesa não continuará sujeita a pressões, condicionamentos ou influências que colocam em causa a verdade desportiva“.
“O Sport Lisboa e Benfica encara com extrema gravidade as informações tornadas públicas sobre a saída de Duarte Gomes da arbitragem, motivadas por interferências incompatíveis com a independência que deve reger um setor absolutamente essencial para a credibilidade das competições“, lê-se.
O Benfica recorda que, “além dos alertas reiterados“ ao longo da última temporada, já tinha assumido na última Assembleia Geral que esta seria uma época de “tolerância zero.
“Reafirmamo-lo hoje: o Sport Lisboa e Benfica será intransigente na defesa da verdade desportiva e exigirá total transparência, independência e responsabilidade de todos aqueles que têm o dever de proteger a credibilidade do futebol português“, conclui o clube.
Também o FC Porto diz estar a acompanhar “com profunda preocupação e consternação os factos recentemente tornados públicos relativamente ao setor da arbitragem“
“Sem prejuízo do necessário apuramento rigoroso dos factos pelas instâncias competentes, e sem antecipar qualquer conclusão, a gravidade institucional das denúncias agora conhecidas impõe transparência, responsabilidade e respostas urgentes. A arbitragem é um pilar essencial da credibilidade das competições e o futebol português não pode aceitar que o silêncio substitua os esclarecimentos que clubes, árbitros, demais agentes desportivos e adeptos têm o direito de conhecer“, pode ler-se num comunicado lançado no site oficial dos dragões.
“Ao longo da última temporada, o Futebol Clube do Porto realizou diversos alertas públicos de apreensão sobre o modelo de funcionamento do atual Conselho de Arbitragem e sobre o modo como o mesmo estava a afetar o sereno funcionamento das competições e a criar instabilidade nas tomadas de decisão dos árbitros em campo. O tempo confirmou essas preocupações“, escreve ainda o FC Porto, que exige “ao Senhor Presidente da Federação Portuguesa de Futebol, Pedro Proença, até pelo seu reconhecido passado como árbitro de referência, uma ponderação profunda sobre o estado da arbitragem em Portugal, uma avaliação sobre as suas escolhas para liderar o setor e uma intervenção institucional no sentido de garantir a tranquilidade necessária no arranque das competições nesta temporada.“
Caso segue para o MP
Na sexta-feira, Duarte Gomes apresentou renúncia ao cargo de diretor técnico da arbitragem na FPF e os motivos alegados, em participação formal ao organismo, levaram agora a federação a expor a situação junto do Ministério Público (MP).
"Os Presidentes dos Órgãos Sociais da Federação Portuguesa de Futebol (Direção, Mesa da Assembleia Geral, Conselho de Justiça e Conselho de Disciplina) remeteram de imediato os factos relatados para o Ministério Público, cumprindo o disposto no n.º 1 do artigo 6.º do Regime Jurídico da Integridade do Desporto", refere hoje a FPF.
O n.º 1 do artigo 6.º do Regime Jurídico da Integridade do Desporto refere a denúncia obrigatória "sempre que os agentes desportivos tenham conhecimento ou suspeitem de comportamentos antidesportivos contrários aos valores da verdade, da lealdade e da correção e suscetíveis de alterar de forma fraudulenta uma competição desportiva ou o respetivo resultado".
O ex-árbitro FIFA já reagiu em comunicado nas redes sociais e explica que “no final da época passada“, um árbitro de futebol profissional partilhou consigo “um conjunto de informações que, pelo seu teor e sensibilidade“, suscitaram-lhe “preocupações institucionais muito relevantes.”
Duarte Gomes acrescenta que perante isso resolveu proceder a diligências que “foram conduzidas com reserva, neutralidade e transparência“ e explica que no decurso das mesmas concluiu “que não era possível restaurar o grau de confiança institucional que considerava essencial ao desempenho“ do cargo que desempenhava.
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