Benfica submete petição pela "suspensão e revisão" da centralização dos direitos
ANTÓNIO COTRIM
Rui Costa levou à Assembleia da República um pedido de admissão da petição que pede que o processo audiovisual se trave até "à realização de uma avaliação técnica, económica e jurídica independente, bem como a revisão das soluções atualmente previstas”
Há muito cético quanto ao processo de centralização dos direitos audiovisuais do futebol profissional, o Benfica apresentou uma petição para suspender o processo. Em comunicado, as águias indicam que Rui Costa submeteu à Assembleia da República, "na qualidade de primeiro subscritor, um pedido de admissão da petição "Pela suspensão e revisão do Modelo de Comercialização Centralizada dos Direitos Audiovisuais"".
O documento apela à "asuspensão da implementação do atual modelo de centralização dos direitos audiovisuais do futebol profissionalaté à realização de uma avaliação técnica, económica e jurídica independente, bem como a revisão das soluções atualmente previstas", lê-se no texto.
Esta ação dá sequência às críticas que Rui Costa tem feito ao processo. Aquando da aprovação do modelo de negócio, em abril, o Benfica votou contra. No passado, o líder das águias chegou mesmo a dizer que se o modelo de negócio fosse prejudicial para o clube da Luz, o Benfica não entraria no projeto.
Já em julho de 2025, os lisboetas pediram a suspensão da centralização.
Reinaldo Teixeira chegou à presidência da Liga em abril de 2025
No comunicado publicado, o Benfica diz que esta reforma deve assentar em "fundamentos técnicos sólidos, transparência, responsabilidade e ampla participação dos clubes e dos restantes agentes do setor“, alertando para o ”risco de perda de valor económico e patrimonial“. Sendo os direitos audiovisuais uma das principais fontes de financiamento dos clubes, qualquer alteração ao modelo deve salvaguardar as receitas, a capacidade de investimento, a sustentabilidade financeira e a competitividade nacional e internacional”, argumentam as águias.
O emblema presidido por Rui Costa é o que mais recebe na venda individual de direitos audiovisuais. Em janeiro, assinaram a venda à NOS por 50 milhões de euros por ano até à entrada em vigor da venda centralizada dos direitos.
Em entrevista à Tribuna Expresso, Reinaldo Teixeira, presidente da Liga, abordou as desconfianças encarnadas: “O Benfica é o clube que mais recebe, pode ter algum receio de receber menos. O que nos compete é tudo fazer para que, até aquele que mais recebe, receba ainda mais”, disse o dirigente.
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A centralização dos direitos audiovisuais do futebol profissional é uma imposição legal, com 2028/29 como data para entrada em vigor. O Benfica expõe, no comunicado, que o processo “deve contribuir para reforçar os clubes, valorizar o futebol português e aumentar as suas receitas, não podendo transformar-se num fator de desvalorização, fragilização financeira ou perda de competitividade”. A inicativa da petição deverá, após validação, ser disponibilizada na plataforma eletrónica da Assembleia da República, para consulta e livre subscrição pelos cidadãos, durante um período de 60 dias.
Na referida entrevista à Tribuna Expresso, o presidente da Liga disse que começará, agora, o leilão da produção, seguindo-se a venda dos direitos domésticos e depois os internacionais, podendo estes últimos só ficarem concluídos em 2027/28. Será, assegura Reinaldo Teixeira, o “maior negócio da história" da televisão portuguesa.