O Benfica já tem João Palhinha e o seu vício em recuperar bolas
João Palhinha, aqui ainda equipado à Bayern de Munique, antes de ser reforço do Benfica
Boris Streubel - UEFA
Chegou ao Benfica, finalmente, o protagonista da novela encarnada de verão. Aos 31 anos, João Palhinha regressa a Portugal para dar à equipa de Marco Silva, com quem trabalhou duas épocas na Premier League, a sua fome por tackles e por reaver rápido a bola para a sua equipa, como ele gosta. O clube pagou €14 milhões ao Bayern de Munique
João Palhinha ter dito que se considera “um jogador diferente dos outros” foi uma platitude, tal como o é apontar que um jogador “é diferenciado” - um dos novos clichés do falatório em torno futebol. Há diferença entre todos os humanos, por isso a vida tem a sua graça. Mas o médio português, a falar no terraço da sua casa em Lisboa numa tarde solarenga, disse então coisas mais peculiares: “Temos que sempre que nos focar não só naquilo que temos de melhorar, porque há sempre coisas a melhorar, mas também naquilo em que realmente somos bons.“
Há pouco mais de um ano, o jogador de alta rotação a meio-campo falou com a Tribuna Expresso no advento da Liga das Nações que a seleção nacional conquistaria em Munique, no estádio que ainda era o seu, sendo cândido e, sobretudo, feliz com as qualidades que tem. “Se começarmos a olhar muitas das vezes para outras coisas e não nos focarmos naquilo em que realmente somos bons e incríveis, acho que não conseguimos, depois, demonstrar realmente aquilo que somos capazes“, analisou quem, aos 31 anos, chega ao Benfica para exacerbar as suas qualidades.
Não poderá ser de outra maneira.
Àvido recuperador de bolas, protótipo de jogador que liga o modo intensíssimo nos momentos em que a equipa perde a posse, João Palhinha é o reforço que o Benfica mais demorou a garantir. Ao novo molde trabalhado por Marco Silva, onde a pressão pós-ficar sem a bola ganhou relevância, entra agora um futebolista para incrementar, e muito, a capacidade dos encarnados de roubarem rápido quem os rouba. O próprio Palhinha o disse: “Eu tenho esse vício, sempre que acaba um jogo tenho a mania de ir ver quantas recuperações de bola fiz.“
A troco de €14 milhões pagos ao Bayern de Munique que porventura chegarão aos €19 milhões - existem €5 milhões em variáveis por objetivos a serem cumpridos pelo jogador -, o Benfica fica com um arquétipo declarado da posição 6.
Uns descrevem João Palhinha como um trinco à moda antiga, esfomeado nos momentos defensivos como Enzo Barrenechea não é. O argentino tem beneficiado do facto de a equipa agora defender com os jogadores mais juntos, não tem de percorrer tanta distância sem a bola, mas o internacional português chega com a sua aptidão para cobrir o terreno o ocupante da posição até aqui não possui.
O apetite do português por ser ladrão é real. “Tenho fome, sabes? É uma coisa que me dá prazer quando recupero.Quando os adeptos no estádio a aplaudir-me, quando ouço o público a chamar o meu nome“, confessou o jogador que na última temporada, entre os médios da Premier League, foi o segundo em tackles (110) feitos e o quinto que mais duelos ganhou (193). Fez 45 jogo pelo Tottenham, 33 no campeonato inglês.
Palhinha chega como sério candidato a cumear este tipo de estatísticas na I Liga a que regressa quatro anos após a saída do Sporting. Corra-lhe bem a vida e será atreito a “de vez em quando“ lhe “dar umflashback“ e ir ver os seus “melhores momentos” em campo em vídeos do YouTube - normalmente, ele onde ele aparece a roubar a bola.