A sina dos portugueses na Liga Europa: o Benfica visita Ruben Amorim a Milão e o Torreense recebe o Sunderland
Os jogadores do Benfica unidos no festejo de um dos golos que marcaram no play-off da Liga Europa contra os dinamarqueses do Aarhus
Gualter Fatia
Não se pode dizer que o sorteio da Liga Europa foi antipático com o Benfica, que na fase regular terá o AC Milan treinado por Ruben Amorim como o adversário mais complicado. De resto, além dos escoceses do Celtic e dos neerlandeses do AZ Alkmaar, os encarnados defrontam equipas da Chéquia, do Chipre e da Grécia. Já o Torreense receberá o Olympiacos ou o Sunderland enquanto compete na segunda divisão do futebol português
Ainda o corpo figurado do Aarhus estava quente depois de ser abatido e já perguntavam a Marco Silva pelas aspirações na Liga Europa. A lógica explanada nas questões veio de uma declaração de Gianluca Prestianni: o Benfica é um clube de Champions. “Naturalmente, pelo historial e pela grandeza que temos como clube, temos que assumir aquilo que é a nossa responsabilidade na prova“, disse o jogo de cintura do treinador, reconhecendo a relevância dos encarnados sem se comprometer com objetivos.
A sóbria cautela de Marco Silva espreitou por outra frase - “Não somos a única grande equipa europeia que lá está“ - que o técnico deixou na exígua sala de imprensa em Randers, na Dinamarca, também ela incaracterística para competições da UEFA, após eliminar o Aarhus. Garantindo a fase regular da Liga Europa, uma das tais equipas corpulentas em história que faziam companhia aos encarnados no sorteio calhou-lhe na sorte.
O destaque na trajetória do Benfica será a visita a Milão para defrontar a nova equipa de Ruben Amorim, confesso benfiquista e não assim há tanto tempo bicampeão nacional pelo Sporting. A par do treinador, lá jogam Gonçalo Ramos e o luso-belga Diego Moreira, recém-chegados ao clube, e Rafael Leão - de quem se diz estar a caminho do Aston Villa. O AC Milan é, em teoria, o mais complicado dos sete adversários: AZ Alkmaar (casa), AC Milan (fora), Celtic (casa), Viktoria Plzen (fora), Omonia (casa), Ofi Creta (fora) e NEC Nijmegen (casa).
O Benfica fugido estava de uma participação integral na Liga Europa desde 2020/21, quando entrou na prova pela fase de grupos, então ainda em voga. O treinador era Jorge Jesus. Jogaria no segundo degrau do futebol europeu em 2023/24, caído para lá da Champions, tendo chegado aos quartos de final com Roger Schmidt ao volante, perdendo nessa fase contra o Marselha.
O apogeu dos encarnados na prova teve feitio consecutivo com as finais de 2013 e 2014 que fizeram de Turim e Amesterdão, cidades que as acolheram, lugares traumáticos para o clube - perdeu ambas para o Sevilha e o Chelsea. A decisão desta edição da Liga Europa será em Frankfurt.
André Sabino tornou-se diretor geral para o futebol profissional em 2023
Uma das histórias sensacionais desta fornada da competição, venham os resultados que vierem, está no Torreense. Vencedor da última Taça de Portugal, o clube arrebatou o direito de jogar a Liga Europa pela primeira vez na sua história e soar os sinos do inusitado: é a única equipa em prova que compete na segunda divisão do seu país.
Sem quilometragem anterior nestas andanças, a turma de Torres Vedras ficou no Pote 4 do sorteio e sujeita a apanhar adversários vindos mais lá de cima do terraço da escala da adversidade. O computador da UEFA que esteve algures no Fórum Grimaldi, no Mónaco, onde se realiza este tipo de sorteios para serem aperaltados como todo um evento espampanante, encarregou-se de o provar.
O Torreense receberá o Olympiakos, o Celtic (duas viagens e Portugal), o Sunderland e o Ararat-Armenia, indo jogar aos redutos da Real Sociedad, do Ferencváros, do Lech Poznań e do Lillestrøm. Especial pelas circunstâncias do clube, esta participação na Liga Europa mais rara se tornará por os jogos caseiros da equipa serem no Estádio Dr. Magalhães Pessoa, em Leiria, fora do seu berço mas não tão longe quanto isso.
Sendo a segunda sequela de um filme português - o Beira-Mar em 1999, e o Leixões em 2002, também competiram na segunda prova europeia, no seu tempo a Taça UEFA, estando na divisão secundária do futebol português -, o Torreense terá viagens desgastantes, para mais friorentas, à Polónia e à Noruega.