• Suécia
    18:0020 JUN
    5
    1
    Grupo F
  • Ciclismo

    Rui Costa, o senhor arco-íris do ciclismo nacional, termina a carreira

    Rui Costa, o senhor arco-íris do ciclismo nacional, termina a carreira
    Tim de Waele

    O primeiro e único português campeão do mundo de estrada terminou a carreira ao fim de 15 épocas no World Tour. Vencedor de quatro etapas em grandes voltas e duas vezes pódio em monumentos, retira-se aos 39 anos

    Vincenzo Nibali lançou a corrida quando o cronómetro já tinha esperado sete horas para ser desligado. Rui Costa seguiu o italiano. Lá ia ele atrás do mundo. A camisola do campeão já estava há demasiado tempo à espera. Primeiro, foi preciso apanhar Joaquim Rodríguez, uma perseguição dura que só ficou concluída quase em cima da meta. Depois, o que aconteceu foi um dos melhores momentos do ciclismo nacional.

    Naquele dia chuvoso em Florença, um arco-íris foi abraçar Rui Costa. É deste modo que a glória cumprimenta os seus aliados. Cada quilómetro que fez desde aí, as cores do cinco continentes seguiram-no através do equipamento, a espreitarem pela janela da bicicleta.

    Há momentos em que o ciclismo se torna um jogo de bluff. O corredor de Aguçadoura teve muitos desses. Nos Mundiais de estrada em 2013, venceu a maior batalha mental que teve na carreira. Ao longo do sprint com Rodríguez, investiu com tudo nos pedais e conquistou o título.

    Tim de Waele

    Rui Costa ainda é o único campeão do mundo de Portugal e ficará para sempre com um reconhecimento mais definitivo: foi o primeiro de sempre a consegui-lo. O país ouviu o hino na cerimónia do pódio e a bandeira ficou para sempre estendida na galeria dos imortais.

    É de um ícone que o ciclismo nacional se despede. Rui Costa decidiu terminar a carreira aos 39 anos. “Chegou a hora de me retirar. De usufruir da companhia dos meus, de estar presente nos pequenos grandes momentos e de viver com calma o que tantas vezes ficou adiado”, justificou no Instagram.

    O corredor que estava EF Education deixou de competir ao fim de 15 anos no World Tour, o escalão máximo da modalidade. Nesse período, participou em 18 grandes voltas com uma preferência clara pelo Tour, onde marcou presença em 12 ocasiões e venceu três etapas. No entanto, já com 37 anos coroou a carreira ao ganhar uma corrida na Vuelta com uma nova manobra de taticismo, mostrando que preservou atributos além do suposto.

    Alexander Hassenstein

    Participou em monumentos e nas mais icónicas provas de um dia subiu duas vezes ao pódio, uma na Liège-Bastogne–Liège e outra na Volta à Lombardia. Ciclista de clássicas ou de grandes voltas, líder ou gregário, Rui Costa foi útil até ao final.

    Talvez por isso Movistar, Lampre-Merida, UAE Emirates, Intermarché-Circus-Wanty e EF Education tenham encontrado espaço para ele num pelotão onde o objetivo é juntar a maior quantidade possível de talento.

    Durante a edição de 2023 da Vuelta, Rui Costa e João Almeida cruzaram a linha branca em conjunto, de mãos dadas. Quem quis aprofundar a questão, disse que foi uma passagem de testemunho.

    “O ciclismo fez-me tão feliz”, disse Rui Costa. Pois também ele nos fez bem a nós.

    Tem alguma questão? Envie um email ao jornalista: fsmartins@expresso.impresa.pt