Ciclismo

Portugal não abranda no velódromo: Iúri Leitão e Diogo Narciso são vice-campeões europeus de madison em ciclismo de pista

Iúri Leitão ganhou o ouro no omnium e agora a prata no madison (com Diogo Narciso) do Europeu de ciclismo de pista
Iúri Leitão ganhou o ouro no omnium e agora a prata no madison (com Diogo Narciso) do Europeu de ciclismo de pista
Anadolu

Um dia após ser campeão europeu no omnium, Iúri Leitão conseguiu a meias com Diogo Narciso conquistar a medalha de prata na prova de madison do Campeonato da Europa. A dupla portuguesa só ficou atrás da parelha alemã

Aqui na redação da Tribuna Expresso, em conversas de carteira aquando do início da final do madison, comentava-se acerca da hipotética sanidade da pessoa que terá inventado esta vertante do ciclismo de pista. “O tipo devia ser maluco”, ouviu-se sem malícia, antes com timbre de surpresa, espanto até, pelas intricâncias envolvidas na ideia.

Senão vejamos: numa pista circular com 250 metros de extensão com alergia a ser horizontal, onde a inclinação máxima chega aos 45º, pede-se a equipas de dois que lhe deem 200 voltas mas com apenas um ciclista a pedalar, ficando o outro à espera de o revezar; ao trocarem, têm de apertar as mãos e o passou-bem serve para quem rende a sua vez projete o companheiro; a cada 10 voltas há uma corrida ao sprint, onde o primeiro a chegar à meta amealha cinco pontos (o último da corrida vale o dobro).

E dar uma de avanço ao pelotão - boa sorte a conseguir identificá-lo com tanta volta rumo aos 50 quilómetros feitos na pista - vale 20 pontos.

Um velódromo de ciclismo de pista
Jaime Figueiredo

Entender tudo quase provoca um nó górdio no cérebro, mas Iúri Leitão e Diogo Narciso ligam patavina a isso, embrenhados que estão na modalidade e no madison em particular, onde esta sexta-feira no velódromo de Konya, na Turquia, não perderam o fio aos números a contar nas suas cabeças, foram pedalando e acabaram com a medalha de prata no Campeonato da Europa.

A dupla portuguesa andou mais de metade da prova fora dos lugares de pódio, paciente a escolher o seu momento de atacar a sério. Chegou no derradeiro terço da corrida, quando Iúri e Diogo enrijeceram as pernas, acentuaram a cara de esforço, foram acumulando pontos e puxaram pelo ritmo que só não chegou para alcançar Roger Kluge e Moritz Augenstein: a dupla alemã acabou com 85, os portugueses foram aos 55.

É a segunda medalha conquistada em menos de 24 horas para Iúri Leitão, consagrado na véspera como campeão europeu de omnium, disciplina individual do ciclismo de pista (consultar esta cábula ajuda) na qual foi prata olímpico, nos Jogos de Paris em 2024, e ouro mundial no ano anterior. Para Diogo Narciso é a primeira medalha internacional no ciclismo de pista.

Não será necessário compreender as curvas e arestas do ciclismo de pista para entender uma qualidade de Portugal nestes afazeres: o país tem talento, meios e armas para ser, como já é, uma referência dentro do velódromo. Parte da explicação vem do seu poço.

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