Cada fruta tem a sua época. Exceto campeonatos nacionais, António Morgado nunca ganhou uma corrida depois do mês de abril desde que chegou à UAE Emirates. Por isso, podemos dizer com firmeza que estamos na sua estação.
No entanto, 2026 vai ser uma temporada diferente para o português. Em maio, vai-se estrear no Giro e não convém que tenha as pernas demasiado esfiapadas na primeira grande volta do calendário, onde vai ser um apoio aos sonhos cor de rosa de João Almeida. Esse é o motivo para uma preparação pensada de modo a que o pico de forma rebente mais à frente.
Apesar de não ser conveniente gastar uma imensidão de combustível até lá, António Morgado disponibilizou-se a usar a dose de energia certa para ganhar a segunda corrida da época. Depois do sucesso no Trofeo Calvià, em Espanha, renovou a vitória na Clássica da Figueira, tornando-se no primeiro bicampeão da prova.
O português de 22 anos não foi constante nos sinais demonstrados. Daniel Martínez, a 50 km da meta, agitou a corrida. O membro da UAE que o seguiu foi Brandon McNulty. Os grupos acabariam por se juntar com o norte-americano e Rui Oliveira a serem solidários com a causa de António Morgado.
Na última passagem pela subida de Enforca Cães, que dificilmente encontra paralelo a nível mundial em termos de toponímia, António Morgado e Alex Aranburu filtraram ainda mais o grupo de sete resistentes elementos. O triunfo foi entregue após um (longo) sprint junto da praia na qual caiu uma roda gigante, imagem apocalíptica proporcionada pela tempestade Kristin.
Para o ano, se voltar, António Morgado voltará a utilizar o dorsal número um.
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