Ter inícios de época tranquilos não é regra para Jonas Vingegaard. Um acidente na Volta ao País Basco, em 2024, colocou um ponto de interrogação em cima de todos os desempenhos que veio a ter daí para a frente. Foi aos cuidados intensivos tratar um pneumotórax, uma contusão pulmonar, fraturas na clavícula e costelas estilhaçadas.
O motivo para 2026 não ter começado da maneira apropriada foi ainda mais rocambolesco e nem envolveu a presença em competição. Durante um treino, em Málaga, o dinamarquês foi perseguido por um ciclista amador que se colou à sua roda. Para tentar sacudir a presença incómoda do fã, arriscou numa descida e acabou por sofrer um acidente.
A estreia na época, originalmente prevista para a Volta aos Emirados Árabes Unidos, foi adiada para o Paris-Nice. Numa prova que não tinha inicialmente previsto realizar, venceu a classificação geral. A ausência de João Almeida, afastado dos treinos por doença após a Volta ao Algarve, e abandono de Juan Ayuso encolheram em doses substanciais a concorrência.
A primeira grande volta do calendário está encaixotada em maio, mas os soundbites já estão na órbita da rivalidade entre Jonas Vingegaard e João Almeida.
O ciclista da UAE Emirates disse estar habituado a que o nórdico “exagerasse um pouco” na reação aos imprevistos. “É normal ficar doente ou ter um pequeno acidente. Não creio que isso tenha um grande impacto na preparação”, considerou Almeida perante o alegado bluff do adversário. Foi o portal dinamarquês "Feltet" a caçar a crítica e a recolher a bicada a que Vingegaard respondeu apontando à ausência do corredor nacional do Paris-Nice: “Não se atira pedras quando se tem telhados de vidro.”
Se o líder da Visma é ator, então é um dos bons. Não precisou de grande aparato para chegar a Nice de amarelo. Ganhou tempo nas etapas 4 e 5 e, sempre impávido, geriu os 3’22’’ conquistados face ao mais próximo dos perseguidores. Quando a penúltima corrida, supostamente definidora da classificação geral, foi encurtada para meros 47km (ainda assim, a subir), ficou entregue a Jonas Vingegaard a vitória num périplo em que o melhor que tinha conseguido foi um 3º lugar há três anos. Na derradeira largada, beneficiando da queda de Daniel Martínez, alargou a vantagem para 4'23''. Ficou o amargo de ter sido batido ao sprint por Lenny Martinez na chegada final.
Em 2025, a batalha entre João Almeida e Jonas Vingegaard começou desde logo na Volta ao Algarve. Desta vez, será preciso esperar pela Volta à Catalunha (23 a 29 de março). Está quase.
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