Quando João Almeida desaparece do plano televisivo, só entra em pânico aquele que não lhe conhecesse os hábitos. Mais tarde ou mais cedo, emergirá. Na Volta à Catalunha, as montanhas engoliram-no e, uma vez sacudido, nunca mais se reergueu.
A antepenúltima etapa terminou com 16,4 quilómetros de subida, o tipo de terreno que, para o português, em condições normais, é uma rampa de lançamento para os seus melhores desempenhos. A queda sofrida parecia justificar o desaproveitamento de um percurso favorável. No dia seguinte, as subidas voltaram a expô-lo.
João Almeida terminou a Volta à Catalunha em 38º lugar, a 21’43’’ de Jonas Vingegaard, vencedor de duas etapas e da classificação geral. Três anos mais tarde, o ciclista da UAE vai estar presente no Giro, onde se estreou em pódios em três semanas. Porém, a julgar pela distância face ao concorrente direto na primeira grande volta do ano, o tempo está a avançar demasiado rápido.
À procura da forma ideal, o corredor de A-dos-Francos confessou estar longe do melhor momento. “Não me estou a sentir muito bem na bicicleta. Preciso de descansar um pouco, ver o que se passa de errado e continuar a trabalhar para o próximo objetivo.”
A queda “não teve nada a ver” com fraqueza sentida. “Já me estava a sentir mal desde a primeira etapa, mesmo antes da corrida começar.” A Eurosport insistiu com a obtenção de explicações que, a olho nu, nem João Almeida consegue dar. “Talvez faça alguns exames, análises sanguíneas. Vamos ver com a equipa médica. Espero estar pronto [para o Giro].”
Antes da Volta a Itália, que arranca a 8 de maio, há um momento crucial. No final de abril, a UAE vai realizar um estágio de altitude na Serra Nevada que, segundo fonte da equipa adiantou à Tribuna Expresso, está previsto que inclua presença de João Almeida.
A ausência dos benefícios gerados pelo estágio de altitude na condição física foi um aspeto evidenciado pelo ciclista nacional na estreia competitiva em 2026. Na Volta ao Algarve, Almeida ficou em 3º lugar na classificação geral, atrás de Juan Ayuso e Paul Seixas, corredores que já tinham usufruído desse impulso de forma.
Além disso, os progressos feitos por João Almeida foram interrompidos por um período de afastamento da bicicleta por doença. Devido à falta de treino, viu-se impossibilitado de participar no Paris-Nice e de comparar forças com Vingegaad pela primeira vez no ano, justamente numa prova onde, em 2025, conseguiu roubar uma etapa a Jonas.
O dinamarquês é o principal favorito a ganhar o Giro e está na melhor forma desde que sofreu um acidente grave na Volta ao País Basco, em 2024. “Sinto que passei os últimos dois anos a lutar para voltar àquele nível e para voltar a ser o Jonas que eu era antes”, disse em resposta à TV2. João Almeida não está no seu melhor e precisa de chegar a um nível onde nunca esteve para sonhar com o Giro.
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