Ciclismo

Um gigante português em Itália: Afonso Eulálio faz segundo na etapa e veste camisola rosa no Giro

Eulálio e Arrieta, a dupla da etapa
Eulálio e Arrieta, a dupla da etapa
Dario Belingheri

O ciclista nacional foi protagonista da chuvosa, perigosa e acidentada quinta tirada da corsa rosa. Aproveitando uma fuga, o corredor da Figueira da Foz chegou isolado com o espanhol Igor Arrieta, que apesar de uma queda e um engano no percurso triunfou na meta. Eulálio é o novo líder da Volta a Itália

Um gigante português em Itália: Afonso Eulálio faz segundo na etapa e veste camisola rosa no Giro

Pedro Barata

Jornalista

Chuva, mau tempo, vento, dureza, quedas, Afonso Eulálio. A quinta etapa do Giro d’Italia teve tudo isto, sendo pintada com o vermelho, o verde e o amarelo da bandeira portuguesa, cores misturadas com o rosa que passará a vestir o ciclista que nasceu há 24 anos, na Figueira da Foz.

O dia, cinzento, agreste, hostil, partiu de Praia a Mare, chegando, 203 quilómetros passados, a Potenza. A cidade, a meio da parte inferior da bota italiana, junta-se a outras terras transalpinas de glória para o ciclismo nacional, une-se a Matera, Paola ou Rieti, onde Acácio da Silva triunfou no Giro, a Florença, palco que deu o título mundial a Rui Costa, e ao Monte Bondone, onde João Almeida ergueu os braços em 2023.

Afonso Eulálio integrou uma fuga, escapada que principiou tímida, sem uma grande vantagem, mas foi fazendo o seu caminho. No momento decisivo da etapa, o português da Bahrain seguiu Igor Arrieta, espanhol da Emirates

O duo ibérico aproveitou a inércia do pelotão, onde não houve vontade ou capacidade de perseguir. Um minuto virou dois, os dois chegaram a três, até aos mais de sete minutos no final. Com Eulálio com a liderança segura, os derradeiros quilómetros foram cheios incidências: ambos caíram, Arrieta enganou-se no percurso, o português parecia ter o triunfo garantido, o espanhol não desistiu e venceria in extremis.

Vitória para Arrieta, rosa para Eulálio. É o terceiro português em primeiro no Giro, depois de Acácio da Silva e João Almeida.

A chuva marcou boa parte da etapa
Dario Belingheri

Ultrapassadas as principais dificuldades do dia, era claro que a discussão da etapa estava entre Arrieta e Eulálio. Com o espanhol a mais de quatro minutos na geral e o português a pouco mais de um minuto, não havia dúvidas sobre o futuro camisola rosa.

Foi aqui que entrou em ação o escorregadio piso, que prometia ter uma palavra a dizer no confronto entre os dois mais fortes. Igor caiu primeiro, Afonso foi ao chão depois. Foi um choque violento para o natural da Figueira da Foz, deslizando, desamparando, terminando por esbarrar contra uma barreira lateral de proteção da estrada. É possível que as mazelas físicas daquele momento o tenham afetado na discussão na meta.

Nas dezenas de metros finais, Arrieta, bravo membro da nova geração espanhola que até teve uma saída de estrada, deu a alegria à Emirates. Eulálio, logo atrás, não leva só uma histórica rosa. Com uma vantagem de quase três minutos para Arrieta e uma margem de mais de seis minutos para os principais favoritos a chegar ao fim na liderança, nomeadamente Jonas Vingegaard, é legítimo acreditar que o jovem Eulálio, trepador que ainda em 2024 competia no pelotão nacional, vista a cor mais desejada desta grande volta durante alguns dias.

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