Ciclismo

A quebra de Afonso Eulálio foi o gatilho para Jonas Vingegaard começar a colocar ordem no Giro

O dinamarquês conseguiu a primeira vitória de sempre no Giro
O dinamarquês conseguiu a primeira vitória de sempre no Giro
Tim de Waele

O grande favorito à vitória começou a dar ao pedal na empinada chegada a Blockhaus e venceu a etapa 7 do Giro. Afonso Eulálio perdeu tempo face a um Jonas Vingegaard que dificilmente alguém vai conseguir parar, mas manteve a camisola rosa

Há uns meses, quando o Giro ainda era uma ilha que se observava a partir de fora, perspetivava-se um duelo entre Jonas Vingegaard e um português (não este que se tem feito notar com uma cor extravagante no meio do pelotão). Agora, com uma visão mais concreta, embebidos na Volta a Itália, fomos obrigados a escrever o impensável: Afonso Eulálio é camisola rosa. Trata-se de um privilégio, mas é igualmente a referência que todos têm. Se o corpo se puser a falar sobre fraqueza através da linguagem que só ele domina e que, por vezes, é incontrolável, todos vão dar conta.

A etapa 7 terminou com uma subida que causa a sensação de infinidade às pernas. Foram 13,4 km a uma média 8,5% de inclinação, longo desnível que serviu para começar a arrumar a classificação geral. Enquanto amplo favorito à vitória, num momento de forma que não se via desde que sofreu uma grave queda na Volta ao País Basco, Jonas Vingegaard fez a primeira movimentação relevante e venceu a corrida com chegada em Blockhaus.

Eulálio escudado pela equipa da Bahrain
Dario Belingheri

Fazendo proveito da santa aliança com Sepp Kuss e Davide Piganzoli, usou a quebra de Afonso Eulálio como estímulo para ele próprio agitar a corrida. O ciclista nacional descaiu do grupo dos favoritos à geral a 5,6 km da meta, momento em que o dinamarquês disparou, deixando o rival mais próximo, Felix Gall, a 13 segundos.

Vingeggard já estava na meta há 2’55’’ quando Afonso Eulálio cruzou o pórtico. O corredor português vai assim manter a camisola rosa, mas restam-lhe apenas 3’17’’ de vantagem para o líder da Visma, que é segundo na classificação geral.

O figueirense resistiu o máximo que conseguiu ao longo dos 244 km percorridos. Diga-se que não o fez sozinho. A Bahrain protegeu-o e colocou-o dentro do pelotão. Um tratamento digno de rei.

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