Ciclismo

Pogačar cuidou mais do bromance com Del Toro do que se preocupou em celebrar a conquista do quinto Tour. Carapaz agradeceu

Os dois colegas de equipa cruzaram a meta abraçados
Os dois colegas de equipa cruzaram a meta abraçados
Luc Claessen

Richard Carapaz venceu pela segunda vez na Volta a França e assegurou a conquista da classificação dos trepadores. Em nova chegada ao Alpe d'Huez, o equatoriano beneficiou dos azares de Sepp Kuss. Sem nada a perder, Tadej Pogačar propôs a criação do maillot da solidariedade. Apesar das tentativas de Isaac Del Toro, Remco Evenepoel vai ficar com a segunda posição da geral enquanto o mexicano completa o pódio e arrecada a camisola da juventude

Chegou a parecer mesmo que a Visma ia vingar o abandono de Jonas Vingegaard. Sepp Kuss, proveniente da fuga, tinha uma margem razoável a sete quilómetros da meta. Após uma corrida que atravessou as subidas mais exigentes do Tour, foi numa descida que o norte-americano deitpu tudo a perder. Num espaço de cerca de dois quilómetros, o líder da etapa conseguiu a proeza de testar a armadura de licra contra o chão num par de ocasiões.

Os contratempos permitiram a ultrapassagem de Richard Carapaz, outro membro dos dissidentes originais. O equatoriano alcançou a segunda vitória nesta edição da Volta a França e, no mesmo dia, assegurou a conquista da classificação da montanha. A transparência do equatoriano expõe com clareza as sensações transmitidas pelo corpo. Igualmente à vista ficam as emoções que transbordam. É pura honestidade vestida de branco às bolinhas vermelhas.

O equatoriano bisou no Tour e garantiu o título de melhor trepador
Luc Claessen

Para quem não é talhado para isto das subidas de categoria especial, a etapa foi um tortura desde o quilómetro zero. Foi uma jornada inclinadíssima que fragmentou o pelotão instantaneamente e causou tanta agitação que a corrida se tornou num batido. Perceber se a etapa 20, de novo com chegada ao Alpe d'Huez, ia pender para a fuga, que contou com a honrosa presença de Juan Ayuso, ou para aqueles que se têm digladiado pela classificação geral prevaleceu durante muito tempo.

O sucesso daqueles que se puseram a monte teve uma certa complacência de Tadej Pogačar. O esloveno terminou o dia com uma vantagem de 6’26’’ para Remco Evenepoel e pode começar a pensar em métodos de abrir garrafas de champanhe para, este domingo, celebrar a quinta vitória no Tour. A relevância da proeza foi secundarizada para que estivesse totalmente disponível para dar atenção ao bromance.

A UAE engendrou um plano para tentar colocar Isaac Del Toro na segunda posição da geral. A estratégia passava por utilizar Pogačar como gregário. Por falta de capacidade do mexicano, Evenepoel distanciou-se. Embora se pudesse sentir tentado a persegui-lo, o campeão do mundo manteve-se até ao final com o colega. Ainda assim, Del Toro conseguiu salvar-se das movimentações da Decathlon, equipa que incentivou um último ataque (falhado) de Paul Seixas rumo à camisola da juventude.

Tadej Pogačar cedo tratou dos assuntos que o levaram ao Tour. A partir do momento em que a camisola amarela ficou tatuada ao corpo, exibiu a faceta altruísta. Infelizmente, não há um maillot que distinga a solidariedade. Fica a proposta.

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