Julius Johansen, o desmancha-prazeres do inédito Rui Oliveira e do repetido Rafael Reis no arranque da Volta a Portugal
Julius Johansen à chegada no prólogo
NUNO VEIGA
O dinamarquês da Emirates foi o mais rápido no prólogo inaugural da competição, em Lisboa. Johansen deixou em segundo Rui Oliveira, seu colega de equipa, que não logrou a primeira vitória da carreira, com Rafael Reis, sete vezes o melhor na primeira tirada da Volta, em terceiro
Nem continuidade nem estreia. Nem a oitava vez nem a primeira vez. Nem Oliveira nem Reis.
O primeiro camisola amarela da Volta a Portugal é Julius Johansen, dinamarquês da Emirates que, em 2024, teve uma breve passagem pelo pelotão nacional, então pela Sabgal/Anicolor. Completou o trajeto em torno de Belém, em Lisboa, em sete minutos e doze segundos.
Uma das grandes expetativas do dia passava por ver Rui Oliveira, campeão olímpico na pista juntamente com Iúri Leitão. Oliveira, craque do velódromo e trabalhador de qualidade na estrada, jamais venceu uma corrida nesta vertente. Aguardava-se que pudesse ser esta quarta-feira. Seria, mesmo no fim do prólogo, superado pelo encorpado colega de equipa.
Os prólogos da Volta são o grande palco de Rafael Reis. Este é um desportista sui generis, que se destaca, basicamente, por ser muito bom a pedalar cinco ou 10 minutos por temporada, esforço curto que lhe permite ser o primeiro amarela da competição e, basicamente, justificar o contrato.
Reis, que além desta vertente individual é um gregário de méritos reconhecidos, foi o primeiro líder da maior corrida portuguesa em 2016, em 2018 e em todas as edições entre 2021 e 2025. Desta feita, o homem da Anicolor/Campicarn ficou no lugar mais baixo do pódio.
Volta a Portugal: onde a melhor equipa do mundo convive com a portuguesa Anicolor-Campicarn
A 87.ª edição da 'Grandíssima' apresenta-se com renovada ambição, procurando trazer mais equipas internacionais, um pelotão mais numeroso e desenhando um traçado que preenche de forma mais global o mapa português. O arranque, ainda assim, teve contornos semelhantes a muito do que temos visto recentemente, com um pequeno esforço individual contra o tempo para lançar a primeira classificação para a tirada em linha do dia seguinte.
Os 6,5 quilómetros em Lisboa, junto ao Tejo, principiavam e terminavam junto ao Mosteiro dos Jerónimos. A tarde de sol em agosto foi vendo desfilar os corredores, com Rui Oliveira cedo a sentar-se na cadeira do líder provisório.
Sentia-se na face do campeão olímpico da pista a expectativa. Só que a cavalgada vigorosa de Johansen, dobrando García Pierna, que partira antes de si, durante o curto percurso, augurava nada de bom para o gémeo de Ivo, o outro irmão Oliveira da Emirates.
A superioridade do dinamarquês, especialista em prólogos, vencedor nestes preâmbulos em 2026 no Gran Camino, na Galiza, na Boucles de la Mayenne, em França, e na Volta a Sibiu, na Roménia, notou-se na meta. Foi quatro segundos melhor que Rui e sete melhor que Rafael Reis.
A primeira etapa em linha, na quinta-feira, liga a Lourinhã a Sintra.