Ciclismo

Julius Johansen é o senhor do tempo na Volta a Portugal. Na guerra civil da Anicolor/Campicarn, Nych ganhou terreno a Guerin

Apesar de não lutar pela classificação geral, o dinamarquês da UAE vai deixando a sua marca na Volta a Portugal
Apesar de não lutar pela classificação geral, o dinamarquês da UAE vai deixando a sua marca na Volta a Portugal
NUNO VEIGA

Dois corredores da Anicolor/Campicarn lutam entre si pela camisola amarela. Depois de Alexis Guerin ter subido à liderança da classificação geral na subida à Torre, Artem Nych ganhou-lhe tempo no contrarrelógio desta segunda-feira. Na corrida contra o cronómetro, Julius Johansen voltou a repetir a vitória do prólogo

Não fosse o respeito pelos patrocinadores e, no dia do contrarrelógio, cada ciclista deveria poder usar a indumentária que lhe apetecesse. Afinal, nesta ocasião não há alianças firmadas por licras da mesma cor.

Depois de três etapas a baralhar a classificação geral, a subida à Torre fez o controlo de qualidade ao pelotão. Alexis Guerin conquistou a camisola amarela e distanciou-se 1’26’’ do colega de equipa e bicampeão da Volta a Portugal, Artem Nych.

Por isso, a Anicolor/Campicarn estava em guerra civil. Era, contudo, um enfrentamento platónico feito praticamente às cegas. Antes de se compararem, o duelo era sobretudo entre cada ciclista e os 17,4 km de estrada.

Apresentado no prólogo, Julius Johansen voltou a assombrar o relógio. Não sendo dos últimos a partir e tendo demorado apenas 21’13’’ a chegar, esperou um bom bocado na cadeira do líder. Com uma média de 49,2 km/h, a arriscar ir além do limite de velocidade dos automóveis ligeiros dentro das localidades, voltou a ser o senhor do tempo e conquistou a quinta etapa.

Na luta prioritária, Artem Nych ganhou 14 segundos a Alexis Guerin, que cometeu o erro de subir a um passeio, derramando instantes preciosos. Ainda assim, o russo ficou apenas em 4º lugar, a 39’’ de Julius Johansen.

As energias de parte dos ciclistas podiam ter sido sorvidas pela ascensão do dia anterior. Faltando pernas, pelo menos, a motivação estava garantida. No começo da descarga de forças, os corredores tinham o Velódromo Nacional de Sangalhos.

A Rui Oliveira, em particular, o incentivo deverá ter tido efeito. Ali forjou-se a medalha de ouro conquistada há precisamente dois anos nos Jogos Olímpicos de Paris com Iúri Leitão, companheiro de pista na prova de madison. O parceiro, que este ano não integra o pelotão da Grandíssima, acompanhou o representante da UAE Emirates junto da comissão de honra composta pelo primeiro-ministro, Luís Montenegro, o presidente da Federação Portuguesa de Ciclismo, Cândido Barbosa, e o selecionador nacional de pista, Gabriel Mendes. O empurrão não ajudou a fazer melhor do que um 19º lugar.

A mais flagrante hipótese de conquistar a primeira vitória profissional da carreira não morava aqui. Agora, a Volta abranda tanto que vai mesmo parar para um dia de descanso. Depois, Rui Oliveira voltará à carga.

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