Que Tadej Pogačar decidiu comparecer à Volta a Espanha para tentar fechar um glorioso ciclo de vitórias em grandes voltas, não é segredo para ninguém. Agora, à 2ª etapa, parece mais possível que o esloveno não esteja ali apenas para completar o ciclismo, mas sim para somar mais uns quantos feitos só ao alcance de super-atletas - e quando as circunstâncias se unem à oportunidade, claro.
Depois de vencer a 1ª etapa no Mónaco, ao ser apenas 9 centésimos de segundo mais rápido que Ethan Hayter, abriu-se a porta para Pogačar ser líder do início ao fim da Vuelta, algo que não acontece, em qualquer grande volta, desde a vitória categórica de Tony Rominger em 1994. A contar pelo comportamento do ciclista da UAE na chegada a Manosque, é isso mesmo que lhe passa pela cabeça.
A tirada, corrida ainda fora de território espanhol, ficou marcada pela fuga de Hayter (Soudal-Quick Step), em busca dos segundos de bónus para roubar a camisola vermelha a Pogačar, que lha tinha tirado por migalhas na véspera. O britânico foi bem sucedido na sua odisseia, voltando ao pelotão pouco depois. Parecia que a liderança iria trocar de mãos.
Só que nos dois minutos finais, Tadej Pogačar respondeu ao ataque de Wout Van Aert (Visma), desestruturando todo o pelotão. E se o belga quebraria, o mesmo não aconteceu com o canibal esloveno, que seguiu num pequeno grupo rumo à meta. Lá, seria outro Visma, Matthew Brennan, o primeiro a passar a linha de meta. Pogačar foi terceiro, atrás de Pau Miquel (Bahrain) e ainda conseguiu uns segundos de bonificação.
Mas nem seria necessário. Ethan Hayter foi um de muitos atletas (João Almeida foi outro deles) apanhados de surpresa pela potência de Van Aert e Pogačar. Cruzaria a meta num grupo a 31 segundos do líder. O português, colega de equipa de Pogačar, chegou a 18 segundos, perdendo terreno para vários candidatos ao top 10, como Oscar Onley, Richard Carapaz, Primoz Roglic, Mattias Skjelmose ou Carlos Rodríguez.
Tadej Pogačar partirá assim para a 3ª etapa como líder da Vuelta, uma tirada que terá já duas contagens de montanha, de 1ª e 2ª categorias, no final. Na 3ª feira, em Andorra, mais montanha. Se Tadej Pogačar quiser, a camisola vermelha será sua no final das primeiras dificuldades.
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