Ciclismo

Ao quarto dia de Vuelta, João Almeida afundou-se na geral e só uma calamidade roubará a vitória final a Tadej Pogačar

Pogačar em mais uma das suas peregrinações a solo nas montanhas
Pogačar em mais uma das suas peregrinações a solo nas montanhas
Tim de Waele

Em Andorra, o esloveno atacou a solo a 50 quilómetros da meta, para vencer a sua segunda etapa na Volta a Espanha e deixar toda a concorrência a mais de três minutos na geral. João Almeida perdeu para lá de 22 minutos e abandonou qualquer esperança de um bom lugar na classificação geral

O interesse competitivo da Vuelta pode ter terminado logo à etapa 4. Nas montanhas de Andorra, Tadej Pogačar dinamitou toda a concorrência com uma tática que até já poderia levar o seu nome, de tantas vezes que a utilizou: um ataque a 50 quilómetros da meta, sem resposta, sem rivais capazes de o seguir. E, depois, uma longa peregrinação em solitário até à meta, esse lugar sagrado para o esloveno, que perde já as contas às ocasiões em que ali ergueu os braços.

Numa etapa curta, mas com três contagens de primeira categoria, Pogačar atacou na segunda delas, a Collada de Beixalis, para imitar o que fez há algumas semanas na Volta a França: matar o mais cedo possível qualquer fogacho de esperança da concorrência. No Tour, à 6ª etapa, ganhou mais de dois minutos e meio a Jonas Vingeggard. Esta terça-feira, em Andorra, ao quarto dia, foram 2.39 minutos para um grupo com Felix Gall, Oscar Onley, Jarno Widar, Enric Mas, Sepp Kuss e Primož Roglič.

Que até podiam ter sido mais, não tivesse o ciclista da UAE Emirates nada arriscado na descida final para Andorra la Vella.

E, portanto, à 4ª etapa, só uma calamidade, uma queda, um azar, poderá roubar a primeira vitória de Tadej Pogačar na Vuelta, onde chegou para tentar fechar um círculo dourado, com triunfos nas três grandes voltas - tem cinco vitórias no Tour e uma no Giro, além de dois títulos mundiais de estrada e 13 triunfos em Monumentos. Na geral, o esloveno leva já 3.21 minutos de vantagem para o 2º classificado, o seu compatriota Roglič, e 3.32 minutos para Enric Mas.

Se é certo que a emoção competitiva está comprometida, como em boa parte das provas em que o esloveno alinhou à partida nos últimos anos, não estará terminado, de certo, o interesse de quem vê em Pogačar um glutão de feitos, de marcas quase inigualáveis, que também são parte da magia do desporto. A exibição nas montanhas de Andorra torna cada vez mais provável que o ciclista de 27 anos entre no restrito grupo de atletas que foram líderes de uma grande volta do primeiro ao último dia.

Aconteceu cinco vezes no Tour, a última das quais em 1935, quatro no Giro e três na Vuelta, a derradeira em 1994, com Tony Rominger, que ganhou também seis etapas nessa edição. Pogačar já leva duas vitórias em 2026, e ainda vamos no início.

Para esquecer foi a etapa de João Almeida. Começou praticamente com um furo, sendo obrigado a um esforço extra para regressar ao pelotão. Mal a Decathlon colocou um ritmo mais forte na frente, o português descolou e afundou-se nas montanhas. Chegou a mais de 22 minutos do seu colega de equipa e a classificação geral deixa de ser um objetivo.

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