Ciclismo

No alcatrão ou na terra batida, a subir ou ao sprint, tanto faz: Tadej Pogačar segue imparável na Vuelta

Pogačar a pedalar no traçado de terra batida da sexta etapa da Volta a Espanha
Pogačar a pedalar no traçado de terra batida da sexta etapa da Volta a Espanha
Tim de Waele

Após descolar de todos os adversários, salvo um, na subida em estrada de terra, o ciclista esloveno ganhou a sexta etapa da Volta a Espanha numa chegada que não lhe diz muito: ao sprint. Foi a terceira vitória para Pogačar nesta edição da única grande volta que nunca venceu na carreira - cada vez mais parece uma questão de tempo até a celebrar pela primeira vez

No alcatrão ou na terra batida, a subir ou ao sprint, tanto faz: Tadej Pogačar segue imparável na Vuelta

Diogo Pombo

Editor de Desporto

Houve um troço montanhoso durante a sexta etapa da Vuelta em que os ciclistas olhavam para baixo e viam um castanho a dar para o alaranjado. Na estreia rota de terra batida, entre arbustos e arvoredo, já que era a subir apeteceu a Tadej Pogačar dar às pernas. Na sua enésima demonstração de força não terráquea, vinda sabe-se lá de onde, o esloveno descolou sozinho dos perseguidores e ficou sozinho, habituado à solidão que está, mas, pouco antes de alcançar a contagem de 1ª categoria, viu-se algo estranho.

Pogačar amainou no esforço enquanto Enric Mas reforçou o seu e, a escassos metros da meta no pico da serra, o espanhol esgueirou-se para a frente do esloveno, cheio de uma ratice com pedais surpreendente por lograr apanhar o ritmo do campeão mundial - e, depois, ultrapassá-lo.

Confessaria Pogačar mais tarde, já a descontrair as pernas no cimo de uma bicicleta estática em Castelló de la Plana, no final da tirada, que não contava que Mas estivesse tão perto, por outras palavras assumindo que se distraíra e julgara, como em tantas outras núpcias, que o seu ritmo dificilmente era acompanhável. Esse ligeiro dormitar, à sua maneira, pode ter algo a ver com o que se veria vinte e poucos quilómetros depois.

Na chegada ao destino da etapa, e já depois de a descer nem todos os santos o terem ajudado - o esloveno calculou mal a trajetória, travou a meio de uma curva e saiu da estrada por uns segundos -, Pogačar devolveu o mimo a Enric Mas, passando-lhe à frente no sprint a dois. Longe de ser um especialista em dar ao pedal para acelerar em linhas retas, o esloveno, trepador de todos os costados, assim venceu pela terceira vez nesta Vuelta.

Portanto, metade das etapas da corrida foram para o indomável ciclista de 27 anos, dono de cinco Tour de France e três Giro d'Itália e agora à caça da sua primeira conquista da Volta a Espanha. Salvo um azar ou alguma palpitação inesperada, tem essa estreia garantida: o esloveno aumento a sua vantagem para Mas, na classificação geral, para 3.34 minutos, estando o seu compatriota Primož Roglič na terceira posição, a 4.21 minutos.

Desmontadas as bicicletas, foi mais um dia em que o pódio se assemelhou a um provador de loja de roupa. Lá subiu Tadej Pogačar para exibir a camisola vermelha, de líder da Vuelta, depois vestiu a branca com bolas azuis, sinalizadora do líder da classificação da montanha, e depois ainda posou com a licra rasgada por um arco-íris que o campeão do mundo de estrada tem direito a vestir durante um ano.

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