A Vuelta vê nascer o talento de Jakob Omrzel enquanto Enric Mas aproveita a oportunidade de uma vida
Jakob Omrzel festeja a vitória na 12.ª etapa
Alexander Hassenstein
A montanhosa 12ª etapa da corrida viu o jovem esloveno, de apenas 20 anos, a vencer no alto de Calar Alto, impondo-se numa fuga que chegou a contar com João Almeida. Já o líder da classificação geral atacou e ganhou tempo a Roglič e Gall
“Más por descubrir.“ Quando a realização da Vuelta pretende promover paisagens ou pontos de interesse cultural no território espanhol, aparece no ecrã da televisão uma mensagem com um lema que busca suscitar em quem assiste a vontade de ir visitar o país.
As montanhas próximas a Almería não serão o melhor postal, mas a 12ª etapa não retirou sentido àquelas três palavras. Más, quase como Mas, apelido de Enric, ainda mais líder. Descubrir, como Omrzel, uma pérola, mais um esloveno, 20 anos, um miúdo já triunfador de uma jornada de alta montanha um cenário de elite.
Entre Vera e Calar Alto, a dureza consagrou dois homens. O primeiro a cruzar a meta foi Jakob Omrzel, resistente de uma escapada de 30 homens. Não há Tadej Pogačar, mas o brilho esloveno não diminui. A promessa da Bahrain, campeão do Giro Next Gen, a Volta a Itália para sub-23, em 2025, lançou-se para uma exibição de classe. Além da vitória, uma das que pode marcar um antes e um depois numa carreira, é já sexto na classificação geral individual.
A tirada andou pela aridez da Andaluzia, viajando por paisagens secas, com muito calor e subidas constantes. Perto de Almería, as cinco contagens de montanha prometiam um cenário de corrida incerto, sobretudo sabendo-se da incapacidade da Movistar, equipa do líder, para controlar as operações. Tal não viria a ser problema para Enric Mas, que parece ganhar asas vestido de vermelho.
João Almeida andou na fuga do dia
Tim de Waele
Houve três contagens de montanha ainda na primeira metade dos 166,6 quilómetros, seguindo-se uma de segunda e, para terminar, duas de primeira. A fuga, como esperado, formou-se numerosa, 30 homens, com destaque para a dupla portuguesa da Emirates, Ivo Oliveira e João Almeida. O segundo classificado da passada edição da Vuelta seguiu na escapada até à antepenúltima subida, o Alto de Velefique, 13,1 quilómetros a 7,2% de pendente média. Deu para Almeida ter algum protagonismo, mas este é ainda um João a léguas de distância de uma versão minimamente parecida do seu melhor nível.
A derradeira montanha, Calar Alto, tinha um final coincidente com a meta. Os 17,5 quilómetros, com 5,6% de inclinação média, viram atacantes em destaque quer na fuga, quer no grupo mais atrás. Na frente foi Jakob Omrzel a deixar para trás Santiago Buitrago, Urko Berrade e Léo Bisiaux, os seus três companheiros de escapada, cavalgando para erguer os braços com grande vantagem para os demais. Na luta entre quem figura nas posições do pódio movimentou-se Enric Mas, ainda a mais de 10 quilómetros, com Félix Gall, que havia acelerado primeiro, e Primož Roglič, a ficarem para trás.
Já muito criticado por não estar à altura das glórias da anterior geração de ciclistas espanhóis, Mas viu-se com uma oportunidade de ouro nos braços pelo abandono de Pogačar. Três vezes segundo classificado na geral final da Vuelta, pode, aos 31 anos, ter aqui uma chance como não voltará a dispor de algo semelhante.
Sem apoio de colegas, cedo viu-se um Mas ofensivo. Roglič, o segundo, e Gall, o terceiro, não tiveram resposta. Ainda falta mais de uma semana, há muita montanha para trepar, mas fica dada a prova de força. O maiorquino ganhou 27 segundos para os principais adversários. Na geral, está com 1,45 minutos de avanço para Roglič e 2,06 minutos para Gall. Há muito que a Movistar, equipa histórica, não sorria tanto numa grande volta.