O ciclismo quis fazer mais uma surpresa e Davide Piganzoli venceu o Giro dell'Emilia no dia em que Brandon McNulty estreou o arco-íris
O italiano de 24 anos isolou-se nos quilómetros finais
Dario Belingheri
Brandon McNulty usou pela primeira vez a camisola de campeão do mundo no Giro dell'Emilia e, para assinalar o momento, atacou. No entanto, foi a Visma que dominou a corrida. A supremacia da equipa neerlandesa permitiu a Davide Piganzoli alcançar a maior vitória da carreira
Bolonha faz muito negócio com as deslocações até ao Santuário de San Luca. A distância que separa as redondezas da Piazza Maggiore, antro de tortellini, pasta al ragù, mortadela e vinagre balsâmico, do ícone religioso é propicio à implementação de uma rede de transportes com bilhetes a preços exorbitantes, rasteira para qualquer turista. A dureza do percurso é igualmente conveniente para uma corrida altíssimo interesse.
A cidade italiana é conhecida por La Grassa (A Gorda), alcunha que mistura um insulto com um elogio à gastronomia. Também lhe chamam La Dotta (A Erudita) devido à índole académica e La Rossa (A Vermelha) por causa da cor de barro dos edifícios. Podemos também chamar-lhe chapéu de chuva natural, epíteto aqui atribuído, graças aos 62 quilómetros de arcadas que realçam as ruas.
O Giro dell'Emilia encerra com cinco passagens no Santuário de San Luca, subida à qual os visitantes fogem metendo-se dentro de um comboio com rodas para não sofrerem com o desnível. O pelotão tem como hipótese única sofrer com a inclinação cercada por arcos que acompanham cada pedalada.
Brandon McNulty, o gregário que subitamente se tornou campeão mundial, estreou na prova em honra da região da Emília-Romanha a camisola que assinala o surpreendente feito do norte-americano. Na ausência dos líderes da UAE, especialmente Tadej Pogačar, o arco-íris gozou de liberdade para se evidenciar.
Brandon McNulty estreou-se com a camisola de campeão do mundo
Dario Belingheri
No circuito final, quando a corrida se decidiu, a Visma tudo fez para desorganizar o grupo. As opções para atacar a vitória eram várias. A mais credível parecia ser mesmo Matteo Jorgenson, mas o ciclismo anda com vontade de fugir à norma. A vitória de Davide Piganzoli no Giro dell'Emilia também teve a sua dose de surpresa.
Após atacar, McNulty perdeu as asas e Piganzoli sobrepô-se num ajuntamento que incluía Thomas Pidcock (2º), Oscar Onley (3º), Ben Tullet (4º), Matteo Jorgenson (5º) e Ben Healy (6º). O jovem de 24 anos rejeitou que o vencedor fosse alguém que falasse inglês e alcançou o triunfo mais importante da carreira. Para suceder a a Isaac Del Toro, vencedor em 2025, resistiu a uma investida final de Pidcock que não o deixou celebrar com a maior conveniência, visto que o britânico encurtou a distância para apenas três segundos.
Além do logro do italiano, a corrida ficou para a história como a última de Nairo Quintana. O colombiano retirou-se aos 36 anos depois de uma carreira que contou com a conquista de duas grandes voltas (Giro 2014 e Vuelta 2016) e dois segundos lugares na Volta a França (2015 e 2013). Um ciclista mítico.