Ciclismo

Uma lupa deu o título de campeão da Europa a Remco Evenepoel

Após uma interminável espera, Evenepoel expressou toda a alegria
Após uma interminável espera, Evenepoel expressou toda a alegria
Szymon Gruchalski

Remco Evenepoel só sabe viver com o coração na boca, mas desta vez testou todos os limites do razoável. Primeiro, sofreu uma invulgar queda a subir e teve que recuperar o tempo perdido. Depois, quando o mais difícil estava feito, ia-se deixando surpreender por Giulio Ciccone. Uma diferença imensurável separou o ouro da prata

Há imagens que são o quadro de uma carreira. Um dos momentos que eterniza o percurso de Remco Evenepoel é a pose que fez em frente da Torre Eiffel, de braços abertos para receber a glória olímpica de Paris 2024.

O corredor é um dos ciclistas que melhor distribui as conquistas entre equipa e seleção. Estava precisamente com a camisola da Bélgica vestida quando conquistou o ouro na capital francesa. No caminho para o triunfo, teve uma avaria e a forma desesperada com que pediu que lhe trouxessem uma bicicleta suplente foi memorável. A rapidez na troca acabou por não prejudicar o desfecho.

Dois anos mais tarde, igualmente a representar o seu país, sagrou-se campeão da Europa com uma dose tão grande ou maior de dramatismo. Agora, além de campeão do mundo (2022) e campeão olímpico (2024) em linha, é também rei do continente.

Remco Evenepoel esteve na iminência de sofrer uma desilusão. Giulio Ciccone surpreendeu-o de tal maneira ao antecipar o sprint final entre a parelha que ficou perto de ter sucesso. Na linha de meta, a diferença foi imensurável, um daqueles momentos em que a quantidade de repetições só aumenta as dúvidas quanto ao vencedor.

A organização também não ficou convencida à primeira. Nenhum dos dois ousou festejar enquanto o resultado oficial não fosse anunciado. Cada segundo após cruzarem o risco branco foi de angústia até que finalmente surgiu o veredicto. Remco Evenepoel herdou o título de Tadej Pogačar. Ciccone agrediu a bicicleta num momento impulsivo que não terá bastado para limpar toda a frustração.

Evenepoel sobreviveu ao segundo sobressalto do dia. Sabe-se que é um ciclista capaz do impensável, mas cair numa subida é obra. Assim aconteceu com o corredor da Red Bull. Nesse momento, ligou as sirenes e empenhou-se na recuperação até que alcançou Ciccone e juntos seguiram rumo ao dramático fado. O representante da Bélgica investiu mais no ataque, enquanto o italiano permaneceu na expectativa. Christian Scaroni, outro transalpino, ia-se agarrando ao terceiro lugar.

Os Europeus não são a prova mais afamada. Esta edição era especial por se realizar na Eslovénia, país de Tadej Pogačar. O inflamado interesse acabou por resultar numa proporcional desilusão. Uma queda na Vuelta afastou o líder da UAE da competição, o que levou à ausência do herói local. Ainda assim, numa análise posterior, ninguém terá ficado desapontado com a corrida.

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