• Expresso
  • Tribuna
  • Blitz
  • Boa Cama Boa Mesa
  • Emprego
  • Expressinho
  • O Mirante
  • Exclusivos
  • Semanário
  • Subscrever newsletters
  • Últimas
  • Classificação
  • Calendário
  • Benfica
  • FC Porto
  • Sporting
  • Casa às Costas
  • Entrevistas
  • Opinião
  • Newsletter
  • Podcasts
  • Crónicas
  • Reportagens
  • Facebook
  • Twitter
  • Instagram
  • RSS
Tribuna ExpressoTribuna Expresso
  • Exclusivos
  • Semanário
Tribuna ExpressoTribuna Expresso
  • Últimas
  • Classificação
  • Calendário
  • Benfica
  • FC Porto
  • Sporting
  • Casa às Costas
  • Entrevistas
  • Opinião
  • Newsletter
  • Podcasts

Crónica de Jogo

🏳️‍🌈 O futebol é 11 contra 11 e no fim ganham os japoneses. E ninguém cala os alemães

🏳️‍🌈 O futebol é 11 contra 11 e no fim ganham os japoneses. E ninguém cala os alemães
JEWEL SAMAD

Depois da resistência e de ver os alemães a desfrutarem da bola como só os bons podem fazer, os futebolistas do Japão voaram na segunda parte e viraram o resultado para 2-1. A Alemanha protestou contra a FIFA antes do jogo começar, tapando a boca

🏳️‍🌈 O futebol é 11 contra 11 e no fim ganham os japoneses. E ninguém cala os alemães

Hugo Tavares da Silva

enviado ao Mundial 2022

O jogo ainda nem tinha começado e era já uma das histórias deste Campeonato do Mundo, assombrado pelas mortes de milhares de trabalhadores estrangeiros, pelas condições miseráveis de trabalho dos migrantes e pelo estrangulamento de direitos civis e humanos que tomamos por certos nas nossas sociedades. Na fotografia de família, mesmo antes do apito inicial do duelo inédito em competições oficiais contra o Japão, os futebolistas da Alemanha taparam a boca. Sentiam-se censurados, violados na sua liberdade, por não poderem exibir, sem consequências, uma mera braçadeira de capitão com um supostamente inofensivo arco-íris.

As bancadas do Khalifa International Stadium, em Ar-Rayyan, encheram-se lentamente. Havia muitas camisolas azuis, os japoneses são mais barulhentos do que os alemães. Ainda que a história fale: aqui muito perto da tribuna de imprensa, vê-se a camisola que Jürgen Klinsmann usou em 1990. O ofício de bomber, esta tarde, mudou-se para as botas de Ilkay Gündogan, após penálti caricato e levemente cometido por Shuichi Gonda.

Hidemasa Morita, em dúvida até a poucas horas do jogo de estreia no Mundial, ficou no banco. Thomas Müller, talvez o alemão mais feliz na Terra, foi o mais ovacionado pelos germânicos nas bancadas. O que jogou foi uma barbaridade. A inteligência e a técnica mentirosamente tosca e deselegante são sublimes.

A camisola do Japão, o jeito solidário de jogar, a vénia do guarda-redes perante os adeptos quando chegou à baliza e o hino, que parecia o mais relaxante dos chás a entrar pelos ouvidos, tornam esta seleção sempre especial de acompanhar. Tecnicamente são bons, e têm boas ideias, mas neste dia jogaram contra uns gigantes que outrora chocavam como se tivessem a força de três mamutes e que agora tocam na bola com uns pés de veludo. A fluidez do jogo é notável, como chegam onde querem chegar, como combinam, como metem gente por dentro para furar as resistências alheias.

David Ramos - FIFA

Jamal Musiala só precisou de alguns segundos para revelar que vinha enfeitiçar o corredor esquerdo como se fosse uma serpente. No meio era a bola quem ficava enfeitiçada pelas ordens silenciosas de Joshua Kimmich, com o sócio e futuro treinador Gundogan por perto.

O Japão, ligado e pressionante, foi aceitando o papel secundário e esperou atrás, deixando-se bailar perante as trocas de bolas e a presença de tantos alemães à frente da área. À chegada ao intervalo, a posse de bola estava perto dos 80%. Jogadores como Takefusa Kubo e Daichi Kamada, habituados a serem protagonistas, iam tolerando as evidências esmagadoras e bufavam com a alma. Certinho era que, quando recebiam a bola, disparavam na frente. Não havia calculismos. Junya Ito, pela direita, era quem entusiasmava mais os muitos japoneses entre os 42 mil no estádio.

Ao Tanaka e Wataru Endo cresceram na segunda parte, ainda mais quando o selecionador japonês, Hajime Moriyasu, investiu numa linha de cinco. Os alemães ficaram mais agressivos, mas os japoneses começaram a morder como os alemães mordem nas fases avançadas dos treinos.

A torneira do futebol bonito da Alemanha foi secando. Gonda ficou maior do que o Monte Fuji. A bola perdeu a alergia ao meio-campo germânico e o Japão, aplaudido pelas suas gentes pela resistência humilde e enganosamente impotente. Também havia assobios quando os de branco metiam a bola em Neuer, o líder da revolta silenciosa e com a braçadeira tapada, fazendo lembrar os atrasos em Campeonatos do Mundo de tempos idos. Depois do golo, os japoneses já haviam mostrado outra face, queriam pressionar à frente e tentar a sorte.

Quando Takuma Asano, do Bochum, entrou e tudo mudou. Até se ouviram alguns pássaros a cantar, como se antecipassem alguma coisa verdadeira especial. O poste tilintar depois de um remate de Gundogan e talvez os pássaros tivessem razão. Kamada apareceu mais. Asano com a bola, remate para fora. Primeiro aviso. O jogo deixou de ser uma peladinha de Kimmich e amigos. A seguir, lado a lado com Asano num corredor, Antonio Rüdiger chegou a levantar os joelhos quase até ao peito em jeito de brincadeira. A velocidade que ambos alcançaram foi interessante. A vingança viria depois.

Nick Potts - PA Images

Neuer negou um bom golo a Ito e, na ressaca, Hiroki Sakai, o ala direito, atirou por cima, tão alto que nem no arco-íris entraria. Mas cheirava a golo. E foi o que aconteceu, aos 75’. Ritsu Doan, acabadinho de entrar, aproveitou mais uma defesa do quase insuperável Neuer e empurrou para a baliza deserta. Takumi Minamino, já em campo com a camisola 10, esteve envolvido na jogada. Os japoneses nas bancadas levitavam, o hino era cantado agora pelas pernas fortes e incansáveis dos jogadores de azul.

Os segundos de glória de Asano, a tal vingança, chegaram mesmo. Uma bola longa apanhou a defesa alemã desprevenida e ele acreditou. Não fez outra coisa desde que entrou. Rüdiger e companheiros fiaram-se no fora de jogo. Asano continuou, continuou, aguentou uma carga de Nico Schlotterbeck, continuou e rematou para as redes superiores da baliza com uma convicção admirável.

O Japão fazia a festa. Sofria-se a cada ataque da Alemanha. A resistência, o modelo original, foi recuperado, agora inspirados pela certeza de que estavam prestes a fazer algo grandioso, tal como a Arábia Saudita havia feito à Argentina. Segundo a Opta, nunca ninguém ganhara um jogo do Campeonato do Mundo com apenas 26,2% de posse de bola. A frase de Gary Lineker merece uma atualização. Afinal, o futebol é 11 contra 11 e no fim ganham os japoneses e ninguém cala os alemães. Que se tire, com vontade, o chapéu aos dois lados.

Relacionados
  • Quiseram calar os alemães, então os alemães taparam a boca pelos direitos humanos na foto da equipa que a FIFA não mostrou

Tem alguma questão? Envie um email ao jornalista: htsilva@expresso.impresa.pt

Crónica de Jogo

  • Crónica de Jogo

    O Casa Pia meteu a colher e o namoro entre o FC Porto e a invencibilidade não deu em casamento

    Francisco Martins

  • Crónica de Jogo

    Bernardo foi a fonte de mais uma escorregadela do Benfica

    Lídia Paralta Gomes

  • Crónica de Jogo

    Entre oito centímetros e um calcanhar, Luis Suárez volta a salvar o Sporting

    Lídia Paralta Gomes

  • Crónica de Jogo

    A indomável seleção de andebol conseguiu a melhor classificação de sempre em Europeus e há suspeitas de que Portugal não vai ficar por aqui

    Francisco Martins

+ Exclusivos
+ Artigos
  • Jogos Olímpicos

    Winston Tang, o guineense do Utah que vai aos Jogos Olímpicos à boleia do caju

    Pedro Barata

  • Opinião

    Mais do que um título, uma grande história

    Bruno Vieira Amaral

  • Benfica

    Acordo do Benfica com a NOS “é ótima notícia para o futebol português”, mas não garante “benefícios generalizados” na hora da centralização

    Lídia Paralta Gomes

  • Opinião

    Ranking UEFA: não é tempo de celebrar, mas de agir

    António Salvador

+ Vistas
  • Cristiano Ronaldo

    Ronaldo estará a fazer pirraça no Al-Nassr e terá recusado jogar pelo clube

  • Crónica de Jogo

    O Casa Pia meteu a colher e o namoro entre o FC Porto e a invencibilidade não deu em casamento

  • Futebol nacional

    O Benfica é a única das principais 148 equipas da Europa que ainda não perdeu no campeonato esta época

  • A casa às costas

    “No Sporting, aos 17 anos, disseram-me que não ia continuar e que, na opinião deles, nunca chegaria a profissional. Não se faz”

  • No Princípio Era a Bola

    O tropeção inesperado do FC Porto (que renunciou a Mora) e a crença do Sporting reanimaram o campeonato

  • Basquetebol

    A expansão europeia da NBA está a encontrar resistência e há demasiados atores importantes em contramão

  • Futebol nacional

    Os golos saíram do Rio Ave, o peixe mais pequeno na rede predatória de que faz parte

  • Jogos Olímpicos

    Winston Tang, o guineense do Utah que vai aos Jogos Olímpicos à boleia do caju

+ Vistas
  • Expresso

    Ministro da Economia diz que vítimas da depressão Kristin devem usar “ordenado do mês passado” até chegarem os apoios

  • Expresso

    “Estamos a seguir com quatro carrinhas. Quando me perguntarem o que é ser portuguesa, vou falar deste dia”: Carolina Deslandes foi a Leiria

  • Expresso

    Há uma nova tempestade a chegar na quinta-feira, chama-se Leonardo e trará em 24 horas chuva equivalente a três dias de inverno

  • Expresso

    Quem é Gonçalo Lopes, o presidente da câmara de Leiria que o país ficou a conhecer depois da tempestade

  • Expresso

    Ex-Presidente russo diz que garantias de segurança não podem aplicar-se apenas à Ucrânia

  • Expresso

    Quem é Gonçalo Lopes, o presidente da câmara de Leiria que o país ficou a conhecer depois da tempestade

  • Expresso

    Comandante nacional da Proteção Civil ausentou-se do país durante crise de tempestades, avança revista “Sábado”

  • Expresso

    Empresa expropriada de minas de ouro recorre à justiça portuguesa para cobrar €1,1 mil milhões à Venezuela