Capaz de fazer duas coisas ao mesmo tempo, Portugal deu espetáculo e garantiu a presença na final do Mundial de futsal feminino
Portugal a celebrar um dos muitos golos com que brindou a Aregntina
Ezra Acayan - FIFA
Portugal está na final da primeira edição de sempre do Mundial de futsal feminino, após eliminar a Argentina (7-1). As goleadoras compulsivas da seleção nacional chegam ao jogo decisivo (domingo, 11h30, RTP1) com 37 golos marcados, algo deve meter medo a Brasil e Espanha, os possíveis adversários
A tendência nestas competições é ir ao histórico investigar qual foi o melhor desempenho de Portugal para ver se, na tentativa seguinte, esse recorde é superado. Estando o Mundial de futsal feminino com a sua primeira edição em andamento, por mais que se folheie o arquivo, não há referência que a seleção possa usar como incentivo à superação.
Desde o último Europeu, em 2023, Portugal defrontou 11 vezes a Espanha em amigáveis. Não adianta ir muito mais atrás, porque o molho de encontros contra a vizinha ibérica só ia crescer. A seleção espanhola é de longe o adversário que Portugal mais vezes defrontou na história. Não é fácil encontrar por aí outras jogadoras que possam fazer a equipa de Luís Conceição evoluir.
Os duelos peninsulares expõem Portugal a um oponente do seu nível - quiçá, ligeiramente superior -, mas criam uma certa monotonia. O Mundial tem dado à seleção novos estímulos. Na fase de grupos, defrontou a Tanzânia (10-0), o Japão (3-1) e a Nova Zelândia (10-0). Depois, nos quartos de final, eliminou a Itália (7-2). A meia-final marcaria um novo encontro frente a um adversário pouco habitual como a Argentina (7-1).
Janice Silva marcou um golo na meia-final
Ezra Acayan - FIFA
A seleção nacional mostrou ser multifunções. Ao mesmo tempo que garantiu a presença na final do Campeonato do Mundo, deu também espetáculo. Os remates picados, os passes de calcanhar, as roletas, esteve tudo no pote de magia de Portugal que, por mais que vasculhe nos lugares mais recônditos do planeta, sabe que não há muitas equipas melhores que a sua.
Portugal chegou à final com assombrosos 37 golos marcados em cinco jogos. No jogo do título, se a Espanha superar o Brasil, talvez possa vingar-se do adversário que afastou a seleção da conquista dos últimos três Europeus.
Esta equipa tem feito muito pela internacionalização dos Xutos & Pontapés. A cada instante, as colunas trazem à baila a alegre casinha. Está tudo bem com o sistema de som, Portugal é que marca compulsivamente e, sempre que o faz, o festejo faz-se com a mesma canção. Frente à Argentina, ao intervalo, o resultado fez ponto de embraiagem nos 6-0.
O tu cá, tu lá português proporcionou finalizações facílimas à boca da baliza. O principal triunvirato em quadra funcionou na perfeição num dos dois golos de Fifó. Ela própria recuperou a bola, a comprida Janice Silva (um golo) conduziu com a elegância de um pavão e Lídia Moreira (dois golos) assistiu. Por vezes, o individual também veio ao de cima. Ana Azevedo (um golo) sentou Julia Dupuy e a guarda-redes Trinidad D´Andrea antes de fazer um chapéu por cima do caos que causou. Inês Matos contribuiu com um golo para o festival que foi a primeira parte.
Ana Azevedo sentou duas jogadoras antes de fazer um chapéu
Aitor Alcalde - FIFA
Depois de ter exibido capacidade na pressão alta, método através do qual roubou muitas bolas em zona adiantadas, e na bola parada, Portugal poupou recursos para a final de domingo (11h30, RTP1) e acrescentou apenas mais um golo à contagem. Sem que nada fizesse prever, Mailen Romero ainda reduziu.
Para marcar uma posição no início do jogo, Mailen Romero fez um RKO a Maria Pereira. No entanto, a Argentina é que acabaria por sofrer um valente KO.