Portugal não conseguiu travar o bocadinho mais de talento do Brasil e perde final do Mundial feminino de futsal
Aitor Alcalde - FIFA
A seleção brasileira confirmou o favoritismo na final e venceu Portugal por 3-0, num encontro quase sempre fechado, sempre equilibrado, que se decidiu nos pequenos momentos de talento extraordinário de uma equipa que não perde um jogo há três anos. Portugal foi também sempre um adversário duro e sai de Manila com o vice-campeonato e a certeza que é uma das melhores equipas do planeta
A tarefa era tão hercúlea como a história: na final do primeiro Mundial feminino de futsal organizado oficialmente pela FIFA, Portugal defrontava o Brasil, equipa com seis títulos na competição mundial não oficial que se disputou antes de 2025, uma equipa que não perdia há três anos. No final, o gigante continuou a ser gigante, mas a seleção nacional não foi mais pequena por causa disso. O Brasil era favorito e venceu mesmo o Mundial por 3-0, mas nunca sem oposição de qualidade da equipa de Luís Conceição.
Os primeiros minutos de Portugal foram sólidos, com uma estratégia bem definida de evitar bolas perdidas no primeiro momento de ataque, não se recreando com a bola e optando quase sempre por um jogo mais direto para fugir à pressão intensa da seleção brasileira. Mesmo sem oportunidades flagrantes, a equipa portuguesa, com o estatuto de underdog nesta final, ia fazendo algumas aproximações interessantes à baliza de Bianca. Lídia Moreira, com o cronómetro nos 15 minutos, surgiu em frente ao golo, mas a bola longa veio com um bocadinho de força a mais. Pouco depois, Maria chegou uns centímetros atrasada à bola colocada por dentro por Fifó num livre.
Ezra Acayan - FIFA
O Brasil só conseguiu responder após um erro português, com Inês Matos a hesitar na saída de bola, momento rapidamente penalizado pela canarinha. Valeu, duas vezes, Ana Catarina, a guardiã portuguesa que é a melhor do mundo, a defender o primeiro remate de Natalinha e a dar, literalmente, a cara ao lance na recarga de Luana. Com a sua segunda unidade em campo, Portugal perdia algum do seu rigor tático.
Seria a meio de uma 1.ª parte quase sempre equilibrada, e com o jogo numa fase mais calma, que o Brasil chegaria ao golo: Ana Luiza, como pivô, soube receber e temporizar à espera da entrada de Emilly, que rematou forte sem hipóteses para Ana Catarina. Portugal, mesmo com dificuldades em assentar o seu jogo, responderia ainda antes do intervalo com três momentos de perigo.
O primeiro, um remate de longe de Maria logo após o golo brasileiro, que Bianca desviou. Depois, talvez a melhor oportunidade de Portugal em todo o primeiro tempo, com Ana Azevedo a permitir, num primeiro remate, a defesa da guarda-redes brasileira e depois, sem a adversária no caminho, a rematar frouxo na recarga. Segundos antes do intervalo, Lídia Moreira desviou um lançamento longo de Bianca e a bola não esteve longe de entrar na baliza do Brasil.
Aitor Alcalde - FIFA
A 2.ª parte começaria com más notícias para Portugal, com o talento e capacidade individual das jogadoras brasileiras a vir fresco do balneário. Ainda nos primeiros três minutos de jogo, Simone Sindy ganhou a ala com um rendilhado técnico impressionante e, após o cruzamento, na área, Amandinha picou a bola por cima de Ana Catarina, tão cruel como bonito.
Portugal respondeu com duas boas bolas, um remate de longe de Kika e um lance iniciado também por Kika e desviado Kaká, com a bola a sair ligeiramente ao lado. Ana Catarina, mais uma vez, salvou Portugal quando o Brasil voltou a colocar o pé no acelerador.
A dois minutos do final, e já com Portugal a arriscar tudo a jogar sem guarda-redes, em 5x4, um ligeiro erro permitiu a Débora Vanin fazer o 3-0, acabando assim com qualquer esperança de Portugal, que, no entanto, sai do primeiro Mundial oficial de cabeça bem levantada e com a certeza que é uma das melhores equipas do planeta.