Crónica de Jogo

A reação do Benfica ao jogo da apanhada não deu para sair de Braga com uma vitória

Pavlidis entre vários jogadores do SC Braga
Pavlidis entre vários jogadores do SC Braga
HUGO DELGADO

Uma partida emocionante deu empate (2-2) na pedreira. Os minhotos começaram melhor, as águias reagiram na segunda parte e poderiam ter vencido, mas correm o risco de ver a liderança ainda mais longe

A reação do Benfica ao jogo da apanhada não deu para sair de Braga com uma vitória

Pedro Barata

Jornalista

Olhando aos minutos finais, vendo a forma como Sporting de Braga e Benfica terminaram de olhos postos na baliza adversária, em correrias em busca do golo da vitória, dir-se-ia que ninguém saiu satisfeito do encontro. À medida que os visitantes, revigorados no segundo tempo, falhavam oportunidades, era óbvia a frustração, mas também não havia resignação da parte dos locais, ainda que acabassem por aceitar a igualade após o tardio vermelho a Ricardo Horta.

Foi um embate emocionante, com momentos frenéticos, com quatro golos relativamente próximos e alterações no guião da contenda. Começou melhor o SC Braga, mas marcou primeiro o Benfica; reagiu o SC Braga, baseando-se nos argumentos que lhe deram o tal ascendente inicial; empatou o Benfica quando ainda se sentia a superioridade local; terminou o Benfica por cima, com oportunidades, mas sem eficácia.

No final de contas, a desilusão maior foi mesmo de quem pretende lutar pelo título. Seis empates em 16 rondas é demasiado, cinco empates em 12 jornadas com José Mourinho não é registo para ser primeiro.

Cedo colocou o SC Braga o Benfica a jogar à apanhada. Com a sua circulação fluida, com constantes pontos de apoio, como se fosse um percurso de comboio que vai parando em diversas estações e apeadeiros, a equipa da casa foi deixando os visitantes a perseguirem sombras. Só após o recomeço o cenário mudou.

Aursnes lamenta uma oportunidade falhada
HUGO DELGADO

Num arranque forte, com energia e pressão, Dahl não tardou em cometer um erro, dando a bola para Víctor Gómez, que não deu a melhor continuidade ao lance. João Moutinho e Ricardo Horta também acentuaram a ideia de que, no começo, os minhtos estiveram claramente por cima.

Pau Víctor, que olha para os companheiros antes de atacar a baliza, baixava para conectar as diversas fases do jogo. João Moutinho, jogador-metrónomo, atuava como um vidente, que já intuia o que ia suceder, talvez por este ser o 1113.º desafio da sua carreira profissional. Zalazar e Horta flutavam com liberdade.

Aos 25', os da casa tinham o dobro dos passes precisos (147 para 69), o triplo dos passes no último terço (25 para sete), contavam cinco remates contro um do adversário. E, como tudo isto segue uma linha lógica, o Benfica marcou.

Otamendi cabeceia para o 1-0
HUGO DELGADO

Sudakov bateu tenso um livre da direita. Na área apareceu, impetuoso, Otamendi. A 13 de feveiro de 2011, o argentino bisou na Pedreira num SC Braga 0-2 FC Porto. Passaram quase 15 anos.

O golo não beliscou o jogar da equipa de Vicens. Nos oito duelos prévios a este, o Benifca apenas encaixou dois golos, tantos como os que sofreria entre os 38' e o intervalo.

Primeiro foi Zalazar a empatar de penálti, castigando nova má abordagem de Dahl, que desviou um cabeceamento de Dorgeles com o braço. Depois foi Pau Víctor a trabalhar com arte e classe na área, beneficiando do acerto de Zalazar pela direita e do desacerto de Ríos na área, novamente evidenciando-se as imprecisões técnicas do colombiano.

O descanso não tirou vertigem ou emoção à partida. O Benfica não voltou especialmente confortável, mas encontrou-se com o 2-2 quando, aos 53', teve espaço para correr. E teve-lo nos melhores pés possíveis, no poder de decisião de Pavlidis, inteligente a servir Aursnes, e na finalização do norueguês, que fez uma das melhores finalizações que se lhe recorda em Portugal.

O remate de Pau Víctor para o 2-1
NurPhoto

Com o avançar do desafio, o guião do fim de tarde alterou-se. O Benfica deixou de jogar à apanhada, ajustando na resposta às rotas de jogo do SC Braga, que deixou de chegar perto de Trubin. Os guerreiros não tiveram qualquer primeiro remate enquadrado no segundo tempo, contrastando com a renovada capacidade ofensiva das águias.

Como é habitual neste tipo de cenários de exigência máxima, José Mourinho tardou em mexer, como se vira diante do Sporting, FC Porto ou Chelsea. Só aos 79' entraram Ivanović — estranhamente preso à esquerda — e Prestianni, mas isso não impediu que o caudal ofensivo do Benfica se acentuasse.

Pavlidis e Dahl colocaram a bola dentro da baliza, mas ambos os lances foram anulados. Dahl, num tiro potente, obrigou Lukáš Horníček a dar continuidade a uma grande temporada. Já depois das substituições, Aursnes, em grande posição, disparou sem pontaria.

O crescimento dos lisboetas não deu para obter os três pontos. A subida de forma do Benfica de José Mourinho não levou a reduzir a distância para o topo da I Liga e, antes do final de 2025, ainda a pode ver acentuar-se.

Tem alguma questão? Envie um email ao jornalista: tribuna@expresso.impresa.pt