Grande noite do colombiano, autor de três golos contra a equipa de Vila do Conde no 4-0 do Sporting. Maxi, servido por Suárez, também marcou e os leões aproveitaram para colocar pressão no FC Porto e distanciar-se do Benfica
A herança era pesada, afinal de contas ser o sucessor do jogador mais decisivo do melhor período do Sporting nos últimos 70 anos não é fácil. Ora, poucos meses depois da saída do histórico homem da máscara, herói maior do bicampeonato, mora novo goleador de referência em Alvalade.
Luis Suárez joga e marca. Liga-se com a equipa e com a baliza, gosta de um futebol de conexão, de tabelas, de inteligência de movimentos. Dança quando marca e quando joga, bailando entre marcações.
Contribui para que os que vivem perto dele vivam melhor. E marca. Marca muito. 18 golos em 26 encontros na época de estreia em Alvalade. 14 festejos em 16 jornadas da I Liga, o Pichichi em igualade com Pavlidis.
De verde e branco já não há quem viva em loop, numa eterna sequência de desmarcação, remate, golo, já não há uma besta da mitologia nórdica. Há um colombiano que se liga com um grego para que outros gregos se vejam gregos.
Na receção ao helénico Rio Ave, o Sporting voltou a fazer de Alvalade um lugar maldito para os adversários. 4-0, poderiam ter sido mais, noite sem turbulência. Hat-trick de Suárez, também assistência de Suárez, o FC Porto obrigado a responder, o Benfica agora com 5 pontos de desvantagem para os rivais da capital.
João Simões cabeceia para Suárez no 1-0
TIAGO PETINGA
O começo dos verde e brancos não foi arrasador. Os visitantes agruparam-se bem para defender, procurando retardar o golo local, uma estratégia adoptada, com êxito, diante do Benfica. Maxi, Mangas ou Trincão ameaçaram o golo, mas o 0-0 desapareceria graças a um lance de bola parada.
De canto, aos 34’, Maxi levantou para a zona de João Simões. O jovem médio desviou para o segundo poste, onde Luis Suárez, oportuno, marcou. A gente que trabalha as bolas paradas junto a Rui Borges, sempre apetrechada dos mais diversos ecrãs, festejou com particular sorriso.
O Rio Ave de Marinakis chegou a Alvalade a meio de uma época que vai relativamente tranquila, ainda que o sobressalto esteja a um conjunto de maus resultados de distância. Detido por um grego, treinador por um grego, com três gregos no onze e outro no banco, o conjunto de Vila do Conde é quase uma embarcação helénica atracada na I Liga. Foi ao fundo em Lisboa.
Como de costume, a embarcação de Sotiris foi uma sociedade das nações, com nove países — Polónia, Argentina, Chéquia, Inglaterra, Portugal, Grécia, Croácia, Israel, Alemanha — representados no onze. Como já fizera na Luz, o técnico grego reservou as correrias de André Luiz para o segundo tempo, mas o brasileiro foi incapaz de remar contra a maré. Ainda na primeira parte, um remate do meio-campo de Athanasiou, que nem chegou à baliza, ficou como exemplo do pouco perigo que Rui Silva teve de enfrentar.
Suárez festeja um dos golos
TIAGO PETINGA
Na segunda parte, poucos minutos consolidaram a grande noite de Suárez. Entre os 53' e os 61', o cafetero marcou dois golos e fez uma assistência.
Primeiro foi o passe. Suárez gosta de receber, olhar, tricotar. Olhou para a desmarcação de Maxi, que, jogando mais à frente, é uma flecha de agressividade, sempre atacando espaços. O uruguaio recebeu o passe do colombiano e atirou para o seu quarto golo nos últimos quatro jogos.
Depois chegou o bis. Canto de Trincão, que parece incapaz de sair de um desafio sem uma participação direta num golo, e cabeçada de Suárez. No repertório do atacante não costuma estar o jogo aéreo, daí a felicidade no festejo, com Luis apontando para a cabeça.
Acabando o show, o 4-0. Recuperação alta de Hjulmand, Suárez a completar o hat-trick na recarga.
Com o resultado feito, o Sporting teve mais uma ou outra oportunidade, mas a prioridade foi dada ao descanso. Rui Borges tirou, bastante cedo, gente como Maxi, Hjulmand ou Inácio, consciente do janeiro recheado que se aproxima. Para fechar um ano de glória em Alvalade, um 4-0 construído por um novo protagonista.