Crónica de Jogo

Depois de dominar a primeira volta, o FC Porto começou a segunda com ajuda da estrelinha

Golo aos 85 minutos valeu os três pontos aos dragões
Golo aos 85 minutos valeu os três pontos aos dragões
HUGO DELGADO

Ainda nem todos sabem pronunciar o nome de Oskar Pietuszewski, mas o jovem de 17 anos já resolve jogos. Por ser menor, pediu a Alan Varela que colocasse o voto na urna por ele. Na ressaca da conquista da Taça da Liga, o Vitória SC voltou a causar dificuldades a um FC Porto que precisou de um auxílio celestial para vencer (1-0)

Por volta das 22h30, menos uma hora nos Açores, a eleição terminou. A contagem dos votos colocados nas respetivas secções decorreu de forma célere. Não eram muitos diga-se. Os dois candidatos, Vitória SC e FC Porto, aguardaram pelos resultados definitivos. No fundo da urna, atrás da qual estavam os adeptos azuis e brancos, encontrou-se um voto que bastou para eleger, com a legitimidade possível, os líderes do campeonato como os grandes vencedores da noite (1-0).

As primeiras projeções deram um empate técnico. Os conquistadores nivelaram o desempenho dos dragões num jogo que Luís Pinto quis jogar tanto como Francesco Farioli. A equipa de Guimarães investiu nas chegadas por zonas exteriores, apesar do pouco seguimento que, geralmente, era dado aos cruzamentos. Além disso, ainda que Bednarek tenha tirado descanso, os dragões apetrecharam o centro da defesa com Thiago Silva e Kiwior.

Samu Silva empenhou-se em assombrar Alan Varela. Foi bem seguido por Beni Mukendi e Gonçalo Nogueira, a congestionarem Victor Froholdt e Gabri Veiga. Quando o FC Porto fugia ao congestionamento na zona central, faltava sempre brio nos detalhes técnicos que distinguem as jogadas prometedoras das restantes.

O Vitória SC deu muita luta no meio-campo
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Este equilíbrio estava patente no histórico recente. Até ao dia de dobrar o boletim em quatro, Vitória SC e FC Porto realizaram dois debates televisionados. O primeiro, no campeonato, correu melhor aos azuis e brancos (3-0). Mais tarde, a troca de argumentos repetiu-se na Taça da Liga. Os conquistadores tornaram-se na única equipa a vencer os dragões (3-1) em competições nacionais.

Alberto Costa é alguém que mudou de partido. Formado no Vitória SC, veste agora as cores do FC Porto. No centro da discussão, o lateral subiu pela direita e foi ceifado por Lebedenko no limite da grande área. Samu Aghehowa, com uma ocasião flagrante, colocou o X na barra e o voto foi nulo. O penálti serviu para relembrar que o heroísmo de Charles na final da Taça da Liga não foi suficiente para ganhar a titularidade a Juan Castillo na baliza vimaranense.

É que a campanha para o sufrágio da 18ª jornada, a primeira da segunda volta, teve as suas ocorrências. O Vitória SC ganhou força com a conquista da Taça da Liga. O FC Porto fez-se valer do seu passado e experiência. Na primeira volta, angariou 49 pontos, algo que mais ninguém fez na história do campeonato.

Puxando desse estatuto, o FC Porto desdobrou outras soluções na primeira fase de construção. Martim Fernandes, lateral-esquerdo, foi ao meio despistar a geométrica pressão do Vitória SC. Do mesmo modo, Gabri Veiga passou a iniciar o processo ofensivo quase de perfil com Alan Varela.

O impasse não foi resolvido e, mesmo sem esclarecimento nas abordagens, o Vitória SC arriscava apressar as finalizações. Ainda era cedo demais para a hora de Alioune Ndoye, mas o remate longínquo passou perto.

Alberto Costa ganhou uma grande penalidade
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Nesta noite eleitoral, ninguém se rendeu até estar contado o último voto e notou-se a importância do momento.

Diogo Costa foi felino a negar o cabeceamento de Lebedenko. A melhor ocasião do Vitória SC foi esta, gerada por Tony Strata. A resposta foi igualmente impactante. Um biqueiro de Borja Sainz ao poste manteve a toada de animação.

Ainda há quem não saiba pronunciar o seu nome corretamente. Porém, esse rótulo que nos distingue uns dos outros nem sempre é a melhor maneira de nos darmos a conhecer. Oskar Pietuszewski estreou-se pelo FC Porto e não deixou de entregar a todos um cartão de apresentação. Destemido, o jovem de 17 anos foi para cima da defesa do Vitória SC. Ainda sem estatuto, o árbitro não acreditou que Telmo Arcanjo o tivesse realmente derrubado em falta na grande área.

O polaco foi o desbloqueador que os dragões precisavam mesmo que ninguém o considerasse capaz de desempenhar essas funções exceto o visionário Farioli. Por ser menor, Oskar pediu a alguém que votasse por ele. Em câmara lenta, aos 85 minutos, Alan Varela fez o que Samu Aghehowa não conseguiu e quebrou a abstenção dos golos. Pietuszewski não ficou por aí, repetindo a dose de atrevimento e arrancando o segundo amarelo a Telmo Arcanjo.

Aquilo que o FC Porto teve em Guimarães é uma conhecida acompanhante dos campeões. Chamam-lhe estrelinha e ganhou fama por se aliar a equipas de sucesso. A competência do Vitória SC esbarrou na vontade celestial.

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