Vitória tirada a ferros (2-1) dos leões em Arouca. O colombiano, depois da noite épica com o PSG, voltou a ser herói com um bis, tendo o segundo dos golos sido aos 96' e evitado uma escorregadela verde e branca
A perda de pontos estava ao virar da esquina. O FC Porto poderia ficar a nove pontos, o Benfica poderia instalar-se a apenas um ponto, as ambições na I Liga a complicarem-se.
Mas este Sporting tem Luis Suárez. O colombiano que marca após bailar, como no 1-0, ou marca seja como for, como no 2-1, porque é essa a essência dos goleadores: festejam de todas as maneiras, porque há uma relação magnética com o golo, as redes, a glória, como se as leis da física se alterassem e, quando a bola cai ali, a lei da gravidade faz um favor e passa a ter normas próprias.
São 24 golos para Suárez na época do Sporting, 28 se contarmos seleção. Ao sexto minuto de desconto, depois de um segundo tempo difícil, entre a tempestade, os bicampeõs dispuseram de uma derradeira ofensiva.
Bola para a cabeça de Suárez, que falhou o cabeceamento. Não importa muito, porque, se o golo lhe está no sangue, qualquer parte do corpo tem-no em circulação. Foi meio com o ombro, meio com a essência do profissional da finalização. Foi um alívio para o Sporting.
A depressão Ingrid ameaçou, nas horas anteriores ao jogo, abater-se sobre Arouca, com avisos de queda de neve a darem contornos de antevisão pouco comuns na I Liga. Os flocos de frio não caíram, apesar das baixas temperaturas.
Para os visitantes, o contraste com o glamour da passada terça-feira não poderia ser mais brutal. Da Liga dos Campeões para o inverno de Arouca, do PSG para o quotidiano do campeonato, da noite extraordinária para um fim de tarde em que era obrigatório ser rotineiramente competente.
Suárez festeja o 1-0
MANUEL FERNANDO ARAUJO
Depressa o Sporting percebeu como ferir o adversário. O talentoso Arouca de Vasco Seabra, a fazer uma campanha abaixo do esperado mas com qualidade individual e um técnico habituado a derrubar grandes, não teme subir as linhas e, aproveitando o convite, os bicampeões exploraram esse adiantamento.
Novamente como central pela direita, recordando tempos iniciais do amorismo, Inácio fez uso da sua qualidade de passe para isolar Luis Suárez. O colombiano contornou Arruabarrena, mas não teve pontaria.
Aos 35’, o 1-0 leonino seguiria mesmo esta fórmula. Desta vez foi Hjulmand a ter vistas largas, lançando Maxi Araujo no espaço. O uruguaio deu para Luis Suárez, que com um passo de cúmbia ganhou espaço e atirou para marcar.
Se o Sporting se adiantou através da arma que vinha explorando, o Arouca também igualou na sequência do que estava a ensaiar. Os locais vieram agressivos para a segunda parte, roubando a bola em zonas subidas, pisando os calcanhares alheios. Chovia, o clima agreste intensificava-se e os homens de Vasco Seabra muniram-se de diferente arsenal para a etapa complementar.
Rapidamente o jogo retribuiu ao Arouca a generosidade. Barbero desarmou Hjulmand, que voltou a jogar após umas férias forçadas por castigos. Fukui deu sequência ao ataque, cruzando para o segundo poste, onde Fontan assistiu Barbero. O espanhol, isolado, assinou o 1-1.
Barbero festeja o 1-1
MANUEL FERNANDO ARAUJO
Entusiasmada, a equipa de amarelo tornou-se uma dor de cabeça instalada para o Sporting. Djouahra, num contra-ataque veloz, viu Rui Silva negar-lhe a reviravolta com uma grande defesa. Instantes depois foi Fukui a ameaçar o golo. A segunda parte ainda não tinha 15 minutos de vida e os da casa já acumulavam sete remates, seis mais do que em toda a metade inaugural.
Estar 50 minutos sem rematar à baliza do adversário é demasiado para quem pretende perseguir a liderança da I Liga. Ter um arranque de segunda parte desligado, passivo, vendo o opositor agigantar-se e aceitá-lo passivamente é pecado que pode ser mortal numa corrida em que se está em desvantagem.
Entre os 35' e os 85', o Sporting não realizou qualquer finalização enquadrada com o alvo do Arouca. Na verdade, nessa fase foi o Arouca a ter a melhor situação, num lance confuso entre Javi Sanchéz e Debast após canto.
Com o fantasma do empate a adensar-se, a urgência empurrou o Sporting para a frente. Hjulmand, de cabeça após livre, forçou Arruabarrena a grande defesa. Até que, quando o 1-1 parecia certo, Geny Catamo colocou a decisão do jogo na zona Suárez. A forma como o Sporting festejou mostra a importância dos três pontos num campeonato onde tropeçar, mesmo entre a tempestade, é proibido.