Portugal embalou para a maior vitória de sempre contra a Espanha, agora é fazer figas
Martim Costa marcou seis golos e foi eleito o melhor jogador em campo
Eva Manhart / kolektif
A seleção nacional fez o que lhe era exigido, ganhou aos espanhóis (35-27) que já foram duas vezes campeões europeus e fica a torcer por Alemanha e Dinamarca: só com uma ajuda destes dois países contra França e Noruega é que Portugal chegará ao jogo de atribuição do 5º e 6º lugares do Europeu de andebol. Avance ou não, conseguiu o melhor resultado da história em 14 partidas contra a Espanha
Neste Europeu onde a nata do andebol se agremeia perto das nuvens onde estão os píncaros do nível, a seleção já foi assim-assim, foi suficiente, foi incrível e também chegou a ser titubeante. Tinha de se reaproximar à exosfera ou a outro camada próxima contra a Espanha, paredes-meias ibérica na geografia, mas só recentemente mais vizinha nisto de agarrar na bola empapada em resina em que a Portugal, de rimo ascendente nesta década, venceu três dos últimos quatro jogos. Neste decisivo, o arranque mostrou-se auspicioso.
O placard despertou com o braço esquerdo do mais farto português em partidas em Europeus, António Areia converteu dois livres de 7 metros seguidos e a seleção, desta vez sem pequenas maleitas, embalou. Cedo forçou erros técnicos nos espanhóis, oscilantes no passe, com ‘Kiko’ Costa a contribuir de início, já curado da mazela que o restringira a 17 minutos no empate contra a Noruega, do qual se trouxe literalmente uma benesse.
A primeira parte roçava quase a metade e Diogo Valério ia nas quatro defesas a oito remates enfrentados. O mais alto, mais longo de membros e mais corpulento guarda-redes português, descoberto para ter poiso duradouro na baliza só na partida anterior, esperto foi a opor-se aos espanhóis, muito contribuido para Portugal construir uma vantagem de cinco golos aos 15 minutos. Pesem os soluços técnicos de ambos os lados que faziam deste um jogo iô-iô, de muitos contra-ataques, a seleção roçava o excelente.
Os ditos nuestros hermanos obrigados foram a desirmanarem-se do plano inicial. Puseram os seus melhores defensores em cima dos criadores de jogo portugueses, ao homem foram marcados Rui Silva e os manos Costa, nem por isso Martim e ‘Kiko’ deixaram de ser ameaça maior do que os irmãos Dujshebaev. No choque de irmandades, ambas filhas de pai que os treina em contexto de clube, os de apelido português à brava partilhavam 10 dos 16 remates felizes da seleção ao intervalo, incomparáveis ao magricela registo (um golo) dos herdeiros de um quirguiz, lá nascido ainda na era soviética.
Portugal fazia a sua parte. Insistia na procura das ligações com o pivô e Diogo Valério, eficaz em 37,5% na baliza, era a base da seleção que no equador da tarefa ganhava à Espanha que tinha mesmo de vencer para depois, na tarde e noite, colar-se à televisão a torcer por um favor dos alemães, outro de dinamarqueses, perante França e Noruega. Esses adversários não podiam ter um resultado favorável para a seleção nacional chegar ao jogo de atribuição do 5º e 6º lugares.
Francisco Costa acabou com sete golos marcados, chegou aos 54 e reforçou a liderança da lista de marcadores do Europeu
Eva Manhart / kolektif
Vindos de um 16-12 no descanso, os portugueses recomeçaram o jogo logo com outra parada de Valério. Outra vez gozazam desse trampolim, de novo se projetaram para a excelência. Diante dos campeões europeus em 2018 e 2020, a seleção vestiu-se de gazela a aproveitar as mãos de manteiga dos espanhóis, ainda falíveis a conectarem passes, e rapidamente se lançavam em transições que furavam as redes espanholas. Em cinco minutos já tinha marcado cinco golos.
Depois lá veio um período assim-assim, cadente até para o mau, quando a bola rematada por Rui Silva tocou na cara do guardião Sergey Hernández feito um ricochete no seu peito. O capitão desgostado ficou da decisão, Portugal com menos um jogador ficou, mas nenhum golo sofreu, prova de algodão para a decadência espanhola no encontro.
O lateral direito Jan Gurri ia marrando contra a férrea defensa portuguesa, viram-se uns breves fogachos do talento de Marcos Fis, cara da nova geração do país, Aleix Gómez mostrava a sua classe à ponta quando os desgarrados ataques espanhóis se dignavam a servi-lo. A veemência crescente das tentativas do adversário pareciam engrandecer a resistência de Portugal: à entrada para o último quarto do jogo a seleção já tinha meia-dúzia de golos a mais.
Ia a Espanha acentuando o risco e Portugal temperando o seu ímpeto. Os ataques acalmavam-se enquanto Paulo Jorge Pereira rodava os jogadores, praticando até o momento ofensivo de 7 vs 6 apesar da dilatada vantagem - nunca se sabia, poderiam precisar da diferença de golos caso acabassem empatados na main round com a Noruega. Iturriza apareceu nos golos, Kiko, com sete, manteve acesa a sua disputa com Mathis Gidsel lá no topo das camadas da atmosfera dos goleadores do Europeu, António Areia alcançou os seis.
E a diferença acabou nos oito golos, apenas a quarta vitória contra Espanha (segunda em jogos oficiais), embora a mais farta no marcador - ganhara por seis no último Mundial - para a equipa fechar com um saldo de zero esta segunda fase de grupos do Europeu (os noruegueses, antes de se medirem contra os tetracampeões mundiais da Dinamarca, estão com -5). Se este se tratou do derradeiro avistamento neste torneio, Portugal foi excelente, a cola das últimas impressões costuma ser mais teimosa. Feita a sua parte, restava aos jogadores ficarem a torcer por ajudas alheias para, na sexta-feira, ainda terem hipótese de melhorarem o 6º lugar da edição de 2020.
Eles queriam era uma medalha, mas ainda podem ir à história.