Crónica de Jogo

Entre oito centímetros e um calcanhar, Luis Suárez volta a salvar o Sporting

O colombiano marcou o 18º golo com a camisola do Sporting na I Liga. E mais um para lá dos descontos
O colombiano marcou o 18º golo com a camisola do Sporting na I Liga. E mais um para lá dos descontos
RODRIGO ANTUNES

Tal como há uma semana em Arouca, o avançado colombiano marcou aos 90'+6 para dar nova vitória no limite ao Sporting. E desta vez até com nota artística, perante um Nacional que se apresentou em Alvalade de forma adulta e com vontade de surpreender

Oito centímetros podem ser a diferença entre o céu e o inferno. Suárez foi lá acima, pensando ter acrobaticamente dado a vitória ao Sporting aos 88’, num jogo incaracterístico dos leões ante o dilúvio que se abateu em Alvalade. Estava um niquinho adiantado, mas Suárez não desiste de ser a boia salva-vidas deste Sporting: a vitória do leão, que esteve seriamente ameaçada por um excelente Nacional, estava no calcanhar do colombiano, que já mais que fez esquecer certo sueco.

Tal como na última semana, em Arouca, Suárez marcou aos 90’+6 para dar uma vitória por 2-1 ao Sporting, que há quatro jogos consecutivos marca para lá dos noventa. Tem estado sempre perto de acabar o sonho do tricampeonato para os leões, mas ele teimará em não terminar enquanto Suárez for Suárez. Talvez não seja defeito, é mesmo feitio.

Em casa, em busca da 16ª vitória no campeonato, o Sporting teve como primeiro adversário a inclemente chuva, com o Nacional a adaptar-se melhor às difíceis condições. Com o relvado encharcado - mas não empapado - a bola não se comportava da mesma forma e faltou, durante quase toda a 1ª parte, sensibilidade aos jogadores da equipa da casa para recalibrar forças.

RODRIGO ANTUNES

Terá essa falta de adaptação de alguma forma sido culpada, mas não totalmente culpada, do primeiro lance de perigo do encontro, com o Nacional a encontrar-se, após passe impreciso de Geny Catamo, com três flechas em direção à baliza de Rui Silva, só com a oposição de Eduardo Quaresma. O defesa leonino fez o que pôde para atrapalhar o galope adversário rumo ao golo, mas escorregou e seria depois Geny a redimir-se, cortando na linha o remate de Gabriel Veron.

O susto foi real, as dificuldades uma constante: desde o início do jogo que o Sporting tinha dificuldades em avançar no corredor central que tanto aprecia, graças às linhas bem definidas e juntas dos madeirenses. Afunilando o jogo para as laterais, os leões, sem Trincão, não tinham em Luís Guilherme um elemento diferenciador. Aos 38’, o brasileiro contratado ao West Ham perdeu-se no lance individual num raro momento de espaço e logo a seguir foi Pote, numa ainda mais rara aparição no corredor central, a rematar à figura de Kaique.

Kaique que seria protagonista na única e verdadeira oportunidade do Sporting na 1ª parte: Geny foi lançado na direita e o cruzamento encontrou Luis Suárez isolado em frente à baliza. O remate do colombiano, com tudo para marcar, saíria à figura do guarda-redes brasileiro. Com a chuva cada vez mais furiosa, o Sporting não podia dar-se ao luxo de tamanho desperdício.

RODRIGO ANTUNES

Entrou mais incisivo o Sporting na 2ª parte, mas sem criar perigo nos primeiros 20 minutos, à exceção de um livre direto de Maxi. A entrada de Trincão, com Pote a descer para o meio-campo, melhorou as dinâmicas ofensivas dos leões, que chegariam ao golo aos 73’, numa boa combinação entre Suárez, Pote e Trincão. O primeiro remate de Trincão foi travado por Kaique, com Pote a ser certeiro na recarga.

Mas nem três minutos depois, o Sporting deixou-se enredar pelo jogo do Nacional. Veron, com aparente nova vida na Madeira, disparou um primeiro remate que Rui Silva afastou com dificuldade e na lateral direita surgiu Alan Nuñez sem qualquer oposição, só a precisar de encostar. Faye, reforço leonino, que até havia entrado bem, acompanhou o adversário a passo.

Seguir-se-iam minutos de sofrimento e ansiedade do Sporting, com dificuldade até em manter a bola, para impaciência do anfiteatro de Alvalade. Já perto dos 90’ Suárez levou o pé ao céu horizonte para marcar um grande golo, mas o avançado leonino estava mero 8 centímetros adiantado. Mas o colombiano não tinha ficado por aí em matéria de espectáculo: já em horas extraordinárias das horas extraordinárias, Suárez respondeu de calcanhar ao cruzamento de Alisson, talvez ao último cruzamento de Alisson como jogador do Sporting, marcando o golo de uma vitória encharcada de suor do Sporting, mais uma para um equipa que este ano habituou-se a não dar nada por perdido até ao fim.

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