Portugal deu um Paçó atrás para dar dois à frente e vai defender o título na final do Europeu de futsal
Tomás Paçó contribuiu com um golo e duas assistências para a reviravolta de Portugal
Oliver Hardt - UEFA
Tudo começou com um erro de Bernardo Paçó. Depois, Tomás Paçó envolveu-se em três golos e Portugal venceu a França na meia-final (4-1) do Europeu. A seleção nacional vai agora tentar sagrar-se tricampeã, contra a Espanha
Se a biologia for presa, a sabedoria popular que também se prepare para ir ver o sol aos quadradinhos. É a chamada associação criminosa. É que o ditado quanto mais alto, maior a queda parece compreender a dificuldade que o ser humano tem em esforçar-se a demasiados metros acima do seu poleiro.
Para uma das equipas de futsal mais bem preparadas do mundo, a proximidade com as nuvens incomoda um pouco menos. “Estamos perto do cume da montanha, há menos oxigénio, mas estamos com os pulmões cheios.” A alegoria orográfica usada por Jorge Braz para descrever as ambições da seleção nacional estabelece um objetivo pouco ambicioso, convenhamos. É que Portugal tem capacidade para jogar como quem fez um estágio em altitude com uma equipa de ciclismo e pode não se ficar apenas pelo ponto mais alto do Evereste.
O céu, objetivo mais ajustado à dimensão destes jogadores, já esteve mais longe. Portugal demonstrou capacidade aeróbica para resistir à França na meia-final (4-1) e, após as conquistas das últimas duas edições, vai em busca do tri. Não exibiu todo o seu potencial - longe disso -, mas foi quanto bastou.
Diogo Santos em duelo com Ouassini Guirio
Chris Ricco - UEFA
Em Liubliana, calcorreando caminhos por onde não anda no dia a dia, Portugal deu um Paçó em falso. Bernardo cometeu um lapso na abordagem ao remate de Mamadou Siragassy Touré e deixou Portugal em desvantagem cedo no encontro.
Tratou-se de um lance pouco representativo do preço elevado que cobrou aos franceses para deixar passar os seus remates. Só Marouane Rezzoug viu-se duas vezes impedido de seguir caminho para o golo devido às taxas em vigor. Amine Gueddoura foi igualmente barrado pelo fiscal de joelheiras e cotoveleiras.
A França, menos habituada a estas andanças, teve um índice de perigosidade bastante elevado na primeira parte. Arthur Tchaptchet foi um berbicacho para Afonso Jesus e, a jogar de costas, o pivô incentivou o remate de Rezzoug ao poste.
A intranquilidade sobrepunha-se à disciplina que a mente tentava bombear pelo corpo. Portugal perdeu bolas em zonas baixas do terreno, cometeu a maioria das faltas no meio-campo ofensivo e errou passes decisivos em lances potencialmente perigosos.
Sacudir o nervosismo exigiu uma intervenção urgente das bolas paradas. Em dois lances gémeos, Tomás Paçó recebeu cantos bombeados. No primeiro, amorteceu para a finalização de Diogo Santos. No outro, ele próprio visou a baliza. Em pouco mais de um minuto, a equipa de Jorge Braz encontrou maneira de chegar ao intervalo a vencer (2-1).
Erick a marcar o terceiro golo de Portugal
Chris Ricco - UEFA
Na segunda parte, Portugal teve o mérito de controlar melhor as ocorrências sem partir para uma exibição de excelência. A tardia chegada do terceiro golo causou aflição. Souheil Mouhoudine e Nicolas Menendez podiam ter amaciado a tendência do marcador. Ouassini Guirio também se ia recriando na ala esquerda.
Naquele seu jeito metódico, Tomás Paçó moldava-se às exigências impostas denotando eficiência nas tarefas. O jogo foi ao encontro da sua multidisciplinariedade. Depois de ter marcado, estava com queda para levar os colegas a um date com a baliza para depois os deixar sozinhos. De calcanhar, serviu Erick para o tão aguardado terceiro golo. Afonso Jesus também beneficiou dos serviços de distribuição, mas não foi capaz de concretizar.
Com a França já a apostar no guarda-redes avançado, Bernardo Paçó rematou de uma baliza para a outra. Na ânsia de aliviarem, os gauleses marcaram um autogolo. Gueddoura, o autor da infelicidade, ainda acertaria no poste da baliza portuguesa.
Portugal está pela terceira vez na final de um Europeu e vai enfrentar a Espanha no jogo decisivo. Em 2018 e 2022, vingou a derrota de 2010. A equipa de Jorge Braz vai agora em busca de se tornar na primeira seleção nacional das principais modalidades de pavilhão a ganhar três títulos europeus consecutivos neste século. Estamos na era dourada do futsal português.