Crónica de Jogo

De Bragança ao golo foram seis minutos de distância e a seu tempo o Sporting lá marcou ao Famalicão

É o segundo golo da temporada do médio que regressou recentemente de lesão
É o segundo golo da temporada do médio que regressou recentemente de lesão
Carlos Rodrigues

Não foi para lá dos 90’, mas foi tarde que o Sporting garantiu a vitória contra o Famalicão (1-0). Os leões expuseram-se na primeira parte, mas dominaram por completo na segunda. Lançado desde o banco, Daniel Bragança marcou aos 82 minutos com um raro desvio de cabeça

No Casio de Rui Borges há uma hora em que os leões se transformam em lobisomens e, aí sim, tornam-se perigosos. Geralmente, esse momento demora a chegar, o que justifica que o Sporting comece a ponderar distribuir vales de saúde para os mais sofredores irem avaliar com um especialista o estado do coração. Sem Luis Suárez, aquele que se encarrega de marcar a horas tardias, Alvalade começou a pensar que, desta vez, o golo não ia mesmo chegar. Ainda assim, contra o Famalicão, o assunto resolveu-se (1-0).

Diga-se que houve improvisação à mistura. Numa lista de posições do campo ocupadas por jogadores com maior vínculo emocional aos adeptos do Sporting nos últimos anos, a de avançado ocupa o topo. Paulinho, Gyökeres, Luis Suárez. O nariz da equipa é claramente a zona sensível dos leões.

Um Sporting sem um ponta de lança de alto nível é um roubo de identidade quase tão grande como trocar as cores do equipamento. Mas foram circunstâncias com as quais Rui Borges teve que lidar. Lá fama de inventor tem o treinador que foi campeão numa época em que os jogadores se lesionavam se alguém espirrasse ao pé deles.

Com a capacidade física ainda débil, mas com a perspicácia de sempre na ligação, Pedro Gonçalves recebeu incumbências mais adiantadas do que o habitual. O castigo de Luis Suárez e a lesão de Fotis Ioannidis a isso obrigaram. Que não se queixe o homem de Vidago, pois ficou mais resguardado defensivamente.

Pedro Gonçalves foi usado como falso 9
Gualter Fatia

Os contramovimentos de Maxi Araújo, por vezes a receber diretamente dos centrais, foram o maior dividendo obtido com o ataque móvel. O Famalicão retraiu assim a intenção ousada de subir a linha defensiva. Foi, aliás, com esse à vontade inicial que o central Ibrahima Ba roubou a bola no meio-campo ofensivo e marcou. Porém, durante o assalto, cometeu falta e a ação foi invalidada. Teria ficado bem um golo na exibição musculada do senegalês.

O duelo da 22ª jornada estava a dar que falar, razão pela qual veio ao barulho o jogador português com o estilo mais arrojado, portador de uma coleção infinita que chuteiras old school. Ricardo Mangas acompanhou uma jogada de insistência e rematou ao poste num momento em que, mais uma vez, a deslocação de Maxi Araújo fez a diferença.

Por norma, o número 12 pertence aos guarda-redes. Embora Simon Elisor jogue lá na frente, o francês usa a dúzia nas costas. Certamente nutrirá algum tipo de admiração pelos seus antagonistas. Isolado após um corte falhado de Ousmane Diomande, só a comiseração para com Rui Silva o pode ter feito errar o disparo. O Famalicão, sem pudor em jogar pelo corredor central, acreditava muito no avançado para servir de apoio.

A destreza de Luís Guilherme para malabarismos atraía Pedro Gonçalves e Francisco Trincão, que também queriam brincar. À direita, os leões rendilhavam mais os ataques e Lazar Carević teve que ostentar habilidades de modo a evitar problemas para a baliza dos famalicenses.

Maxi Araújo condicionou a defesa do Famalicão
Gualter Fatia

A equipa de Hugo Oliveira é daquelas que sabemos que só defende dentro da grande área quando é mesmo obrigada. Por força das circunstâncias, foi o que passou a acontecer. A entrada de Rafael Nel devolveu ao Sporting uma configuração mais natural.

As tentativas do Sporting já não tinham mais defesas onde esbarrar. As substituições de Rui Borges deram também Daniel ao meio-campo (76') e de Bragança ao golo foram seis minutos de distância (82’). Talvez por não ser uma das referências da defesa do Famalicão devido ao seu parco tamanho, o jogador que se lesionou como criativo voltou um goleador.

Pelo sétimo jogo consecutivo, o Sporting resolveu o encontro a menos de dez minutos ou depois dos 90’. Em igualdade pontual com o Benfica no momento em que subiram ao relvado, os leões já podiam sentir o respirar dos encarnados. Foi então que se afastaram.

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