O FC Porto poupou-se à graciosidade e esperou quem lhe caísse do céu uma maneira de ultrapassar o Nacional
O central polaco marcou pela terceira vez com a camisola do FC Porto
HOMEM DE GOUVEIA
Foi com pragmatismo e métodos por vezes rudimentares que o FC Porto ganhou (1-0) na Choupana. O Nacional não foi amarrado ao seu meio-campo e, caso Diogo Costa não tivesse sido soberbo, poderia ter levado pontos. Deniz Gül tentou fazer esquecer Samu, mas não resultou. Perante a falta de golos, foi preciso ligar a Jan Bednarek
Se o campo fosse redondo, o FC Porto teria tido menor sucesso na Madeira. Afinal, a produtividade dos azuis e brancos foi posta a vários cantos e não se trata assim uma necessidade tão grande.
A exibição da equipa de Farioli foi pouco graciosa. Durante o encontro, por momentos, o FC Porto jogou com descompressão. Neste momento, perante os cinco pontos que lhe escaparam nas últimas duas jornadas, não o pode fazer. Estranhou-se até que não ativasse o sentido de urgência. Num dia sem nevoeiro na Choupana, os dragões nem sempre tiveram o caminho para a vitória muito nítido.
O Nacional conservava a bola sem causar apreensão ao FC Porto, sempre atento a eventuais passes para o último terço. O problema inicial dos dragões esteve na utilização dos momentos imediatamente a seguir à recuperação.
Oskar Pietuszewski, o estrangeiro mais jovem a estrear-se a titular pelo FC Porto (17 anos e 8 meses), Pepê e Deniz Gül abreviavam os ataques em lances que não favoreciam o estabelecimento de domínio. Por sua vez, o Nacional partia de imediato para uma nova investida. Era muito rudimentar o futebol que o FC Porto estava a apresentar. A bola parada disfarçava a falta de imaginação para chegar à baliza. Jan Bednarek e Thiago Silva impuseram-se neste aspeto, mesmo que sem eficácia nos primeiros cabeceamentos.
Pietuszewski tornou-se no estrangeiro mais novo a jogar a titular pelo FC Porto
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A solidez defensiva que o FC Porto tem apresentado no campeonato causa a sensação que, das poucas vezes em que tem de intervir, Diogo Costa o faz quase sempre de maneira soberba. Foi dessa maneira espantosa que parou Chuchu Ramírez, autor de 13 golos no campeonato. O avançado testou o instinto do guarda-redes portista também num canto. Victor Froholdt foi ludibriado pela desmarcação.
Deniz Gül precisa de começar a fazer algo mais para evitar que se comece a falar de uma crise na posição de ponta de lança. Como titular, não tem qualquer golo pelo FC Porto, o que pode ser um problema devido à grave lesão sofrida por Samu. A pouca acutilância na finalização ficou demonstrada quando apareceu isolado frente a Kaique, numa jogada anulada por fora de jogo.
Witi, o extremo que já ganhou raízes na Choupana ao longo das 11 épocas que leva no Nacional, apimentava as tentativas dos insulares. Nas laterais, embora fosse José Gomes a apoiar mais o ataque, Alan Nuñez era quem sofria na proteção da profundidade no corredor direito. A lentidão de pensamento de Pietuszewski impediu outro tipo de consequências.
Jogo aéreo foi decisivo no encontro
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A política de pragmatismo máximo não se alterou. O FC Porto continuou sem intenção de embelezar o desempenho e acreditava que era uma questão de tempo até ao estilo martelado, sem grande raciocínio, resultar.
Gabri Veiga foi lançado por Farioli e saiu no segundo a seguir, não por ter sido substituído, mas porque foi bater um pontapé de canto que lhe exigiu que fosse apanhar balanço à zona dos fotógrafos. Nesse primeiro toque na bola, assistiu Bednarek para um golo letal caído do céu, de onde a oportunidade pingou para a cabeça do polaco.
Terem Moffi estreou-se para tentar renovar as ideias na posição mais adiantada. Ainda assim, não foi dia para o FC Porto se desdobrar em oportunidades. Com as que teve, garantiu o regresso aos triunfos e isso é o que importa.